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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de julho de 2021.
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- Publicada em 17h04min, 19/07/2021.

Nossos vícios ao acordar

Gregório José
Pode parecer brincadeira, mas é real. No passado, muitos tinham suas manias (ou vícios) ao acordar. Um conhecido meu tinha, por hábito, acender um cigarro antes de levantar da cama. Fumava ali mesmo, ao lado da esposa e num quarto fechado. Ela não era fumante (ativa). Outro, tomava uma dose de cachaça cuja garrafa ficava embaixo de uma banqueta ao lado de sua cama, junto a um copo americano empoeirado que nunca deixava aquele local. Nem para lavar.
Pode parecer brincadeira, mas é real. No passado, muitos tinham suas manias (ou vícios) ao acordar. Um conhecido meu tinha, por hábito, acender um cigarro antes de levantar da cama. Fumava ali mesmo, ao lado da esposa e num quarto fechado. Ela não era fumante (ativa). Outro, tomava uma dose de cachaça cuja garrafa ficava embaixo de uma banqueta ao lado de sua cama, junto a um copo americano empoeirado que nunca deixava aquele local. Nem para lavar.
Minha mãe não gostava de conversar antes de ir ao banheiro, escovar os dentes, coar o café e tomar um pouco. Se tentássemos conversar com ela, fosse o assunto que fosse, estragava-lhe o dia.
Hoje, logo nos primeiros momentos do dia, milhares de pessoas mundo afora, olham seus celulares. São quase 5 milhões de curtidas nas páginas do Facebook. Joinhas, corações no Instagram, likes, curtidas, dislikes do que não gostamos. Outros quase 400 mil retuitaram algo que nem assimilaram ao abrir os olhos.
Neste mesmo segundo que abrimos os olhos na cama, quase 1 milhão de pessoas tentam encontrar o ser amado e eterno no Tinder. Ah! Esqueci-me de milhares, centenas de pessoas acionando os aplicativos de viagem (e olham que são muitos, mundo afora).
Quase meio milhão estão entrando no Youtube para assistir uma palestra que perdeu ou , apenas, curtir sua música preferida.
E, o pior de tudo isto é que, naquele mesmo ambiente, pode ter uma pessoa querendo um sorriso, um olhar, um bom dia. Talvez a criança no berço tenha fome, mas, antes da mamadeira, temos que bisbilhotar o que nossos amigos desconhecidos, alguns nunca olhamos nos olhos, nunca demos um abraço, nunca nos encontramos na vida, pois estão a milhas de distância. Estes merecem nossa atenção.
Eu sou consumidor de café e notícias. Após abrir a janela, olhar para o céu e o asseio das primeiras horas, faço meu café, me visto costumeiramente e procuro pelas notícias da hora. Procuro meus canais favoritos, leio os jornais pelo aplicativo. Peneiro as notícias positivas e verdadeiras, excluo os veículos tendenciosos, mas leio, ao menos as manchetes.
Ah! Esqueci. Hoje quase 8,5 milhões assistem vídeos Snapchat a cada minuto. Estamos binging Netflix, mantendo o polegar firme pelas redes sociais. Atualizando nossos feeds.
Enquanto alguns lerão este artigo, outros o ignorarão, pois, se fosse mais curto, chamaria a atenção.
Enquanto não nos regramos pela vida e o bem estar da humanidade, sigamos como gados no pasto, uma na frente e outros seguindo, sem rumo, em busca do pão de cada dia, curtindo quem não conhecemos, ignorando os que nos são próximos e reclamando dos governantes que nós, infelizmente, colocamos no Poder para nos dar a direção ao desenvolvimento pleno.
Radialista, jornalista e filósofo
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