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Opinião

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- Publicada em 17h26min, 09/06/2021.

Livrarias do acaso

André Malta Martins
Para iniciar esse artigo já começo logo dizendo que sou um antiquado: só compro comida em supermercado e remédio em farmácia, me recuso a comprar livros em estabelecimentos que não sejam livrarias. Além disso, acredito que toda livraria física é uma livraria do acaso, algo que as modernas empresas de e-commerce nunca serão, embora eu aprecie demais sua agilidade e praticidade.
Para iniciar esse artigo já começo logo dizendo que sou um antiquado: só compro comida em supermercado e remédio em farmácia, me recuso a comprar livros em estabelecimentos que não sejam livrarias. Além disso, acredito que toda livraria física é uma livraria do acaso, algo que as modernas empresas de e-commerce nunca serão, embora eu aprecie demais sua agilidade e praticidade.
No entanto, como frequentador de livrarias há mais de quarenta anos, defendo o meu, o seu, o nosso direito de flanar por entre corredores e estantes e de ser arrebatado pela surpresa de uma obra, de um assunto ou de um autor que não cogitava ao entrar na loja.
As livrarias poeticamente aqui chamadas ‘do acaso’ são mais benéficas em relação à concorrência digital porque possibilitam que o leitor ‘fure a bolha’ de suas próprias referências e vagueie por outras áreas, ideias e temas, conceito que também está mais ou menos contido na antibiblioteca suscitada por Umberto Eco, filólogo italiano recentemente falecido, para quem os livros não lidos de uma estante seriam tão importantes quanto os lidos, pois além da sempre oportuna lição de humildade frente à vastidão do conhecimento, também cumprem a função de perene fonte de consulta.
Alguém poderá objetar que esse tipo de compra nos estabelecimentos físicos ocorre igualmente nas livrarias eletrônicas. Ora, é claro que acontece, mas na plataforma virtual o comprador não é guiado pelo aleatório entre vitrines, balcões e prateleiras, nem pelo poderoso magnetismo de obras que pareciam estar justamente à nossa espera, mas por sofisticados algoritmos, concebidos para oferecer apenas mais do mesmo, com base em dados, informações e preferências extraídos, com ou sem autorização prévia, em redes sociais ou histórico de buscas na internet.
Por fim, diferente das livrarias online, as livrarias físicas obrigam que o leitor saia de casa e da frente da tela, para que tenha experiências sensoriais únicas e que, mesmo sem se dar conta, multiplique suas próprias possibilidades de conhecer o mundo que o cerca.
Advogado
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