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Opinião

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- Publicada em 03h00min, 08/04/2021.

A fruteira e o banco

Fernando Goldsztein
Lembro, saudosamente, dos passeios com a minha avó paterna. Um dia, ao sairmos de uma fruteira (havia muitas fruteiras naquela época), ela percebeu que eu, então com quatro anos, tinha uma banana na mão que não havia sido paga. Sem pestanejar, ela dirigiu-se ao caixa e, enquanto pagava pela banana, calmamente me explicou: "Isso não é certo, temos que pagar pelas coisas". Eu nunca mais esqueci. Foi a minha primeira lição sobre ética.
Lembro, saudosamente, dos passeios com a minha avó paterna. Um dia, ao sairmos de uma fruteira (havia muitas fruteiras naquela época), ela percebeu que eu, então com quatro anos, tinha uma banana na mão que não havia sido paga. Sem pestanejar, ela dirigiu-se ao caixa e, enquanto pagava pela banana, calmamente me explicou: "Isso não é certo, temos que pagar pelas coisas". Eu nunca mais esqueci. Foi a minha primeira lição sobre ética.
Falando em ética, li uma notícia auspiciosa sobre um dos principais bancos do País que demitiu cinquenta colaboradores que se beneficiaram do auxílio emergencial do governo federal. Dito auxílio, como diz o nome, é uma "ajuda emergencial" tão somente para quem perdeu a renda ou o emprego na pandemia.
Portanto, os referidos funcionários do banco não poderiam ter se inscrito no programa. Em nota, o banco afirma que a prática caracteriza desvio de conduta, o que motivou a demissão destes colaboradores. Na minha opinião, foi acertada a decisão de demitir quem agiu em desacordo com os princípios da companhia. Outras empresas deveriam seguir este exemplo. É simples, basta acessar o site www.portaldatransparencia.gov.br e consultar a lista de todos que receberam o benefício.
É preciso diminuir o limite de tolerância à corrupção no Brasil. Corrupção é o ato de corromper alguém ou algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros por meios ilícitos. O termo surgiu a partir do latim "corruptus" que significa o "ato de quebrar aos pedaços", ou deteriorar algo. Portanto, embora existam situações mais graves como o desvio do dinheiro da saúde que deveria ser usado para a compra de respiradores, o superfaturamento de estradas e portos, as rachadinhas, os mensalões, entre outros, quem recebe indevidamente o auxílio emergencial está sim praticando a corrupção. E, quem pratica a corrupção, deve ser punido.
Infelizmente, o Brasil está em um desonroso nonagésimo quarto lugar no "corruption perception index", de acordo com o transparency.org ao lado do Sri Lanka, Etiópia e Suriname.
Temos um longo caminho a percorrer que, obrigatoriamente, passa por uma significativa melhora da nossa educação e pela redução drástica da impunidade. O Brasil precisa, de uma vez por todas, deixar de ser o eterno país do futuro. O Brasil precisa de mais exemplos como os da fruteira e do banco.
Empresário
 
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