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Porto Alegre, sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021.

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- Publicada em 18h05min, 12/02/2021.

A cultura do cancelamento

Lucas Loeblein
Com a ascensão do "politicamente correto" na sociedade, deparamo-nos com uma cultura cada vez mais presente entre nós: a do cancelamento.
Com a ascensão do "politicamente correto" na sociedade, deparamo-nos com uma cultura cada vez mais presente entre nós: a do cancelamento.
 
Aqueles que se julgam acima de tudo ou todos e que, em seus egos, cheios de si, consideram que detêm o direito de efetivamente "cancelar" alguém por algo feito ou dito – esses são os canceladores. Ocorre que, apesar de seus imaginários, eles também são humanos. Por conseguinte, erram, cometem gafes e muito provavelmente já consumaram algum ato reprovável socialmente e que poderia vir a ser alvo de seus próprios pares.
 
O "politicamente correto" tomou de tal maneira o dia a dia não somente do Brasil, mas de uma grande parte dos países ocidentais, que a população se vê amarrada, sem saber quando sua atitude pode vir a ser alvo dos "juízes sociais".
A verdade por detrás deste cenário é que o politicamente correto, que teve seu início como um movimento social muito bem-vindo, que atentava para ações reprováveis e que geravam efeitos ruins para a sociedade, acabou por converter-se em uma cultura onde não se tem um objetivo claro. O objeto do cancelamento, atualmente, é um alvo em movimento. Não é exato, tangível. Qualquer atitude pode vir a ser a próxima causa.
Ao contrário de se buscar a justiça, estabelecida na Constituição Federal e leis infraconstitucionais para casos em que falas ou atitudes sejam reprováveis e consideradas ilegais, os adeptos da cultura atual optam por fazer uma espécie de "justiça com as próprias mãos", tornando midiático um ato que, com frequência, seria mais bem solucionado sob o "privilégio" do anonimato.
 
É preciso sempre lembrar que, apesar do quão reprovável seja uma atitude, existe um poder nesta república que pode cuidar disso: o Judiciário. Na hipótese de crime, denuncie para o órgão competente. Você fará a sua parte. No entanto, quando não se enquadrar como ato ilícito, mas, sim, como uma fala ou gesto que não condiz com sua opinião pessoal ou com seu ego, apenas ignore.
Graduando de Direito
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