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- Publicada em 03h00min, 08/01/2021.

Revisionismo histórico ataca nosso hino

Ramiro Rosário
A primeira polêmica do ano em Porto Alegre é se o hino do Rio Grande do Sul é racista. Tudo porque no dia que abriu 2021, vereadores de partidos de esquerda recusaram-se a cantar o hino rio-grandense na cerimônia de posse dos eleitos na capital gaúcha. Antes de tudo, defendo que o racismo deve ser condenado veementemente, mas onde ele realmente está.
A primeira polêmica do ano em Porto Alegre é se o hino do Rio Grande do Sul é racista. Tudo porque no dia que abriu 2021, vereadores de partidos de esquerda recusaram-se a cantar o hino rio-grandense na cerimônia de posse dos eleitos na capital gaúcha. Antes de tudo, defendo que o racismo deve ser condenado veementemente, mas onde ele realmente está.
No centro da controvérsia está a frase do hino "povo que não tem virtude, acaba por ser escravo". O termo "escravo", porém, não tem relação com negros ou qualquer povo vítima de exploração na história contemporânea, mas com o conceito grego (doulos) que separava cidadãos livres e aptos a participar das decisões políticas, daqueles despidos de tais direitos.
Esse é o sentido do termo em nosso hino, que tem origem maçônica e tradição renascentista e liberal, trazendo da cultura greco-romana a inspiração para o seu conteúdo político. Vale lembrar que, na Revolução Farroupilha, os gaúchos viviam um período difícil de crise financeira, forçados a pagar cada vez mais impostos para um governo imperial que não dava qualquer contrapartida. A canção conta a história de um povo que cansou de obedecer a um governo tirano e decidiu lutar por seus direitos.
E os bravos lanceiros negros, que merecem todas as homenagens, fazem parte dessa luta e irresignação peculiares dos gaúchos, pois lutavam em defesa de sua liberdade.
O que PT e PSOL ignoram nessa "luta" antirracista é que o termo "escravo" na estrofe do nosso hino é bem diferente dessa versão gerada por um revisionismo histórico forçado, desconectado da realidade, que distorce os fatos até que tudo se encaixe em sua narrativa marxista eterna da luta de classes.
Povo que não se insurge contra violações a seus direitos e liberdades individuais é um povo que se torna cativo de governos tiranos. Essa é a essência da Guerra dos Farrapos, que a esquerda tenta apagar, em uma manobra para evitar que os cidadãos, hoje livres, questionem o que for considerado verdade absoluta por seus líderes politicamente corretos e com claros interesses ideológicos.
Vereador de Porto Alegre (PSDB)
 
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