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- Publicada em 15h16min, 26/11/2020.

O retrato da ironia

Ana Cecília Romeu
Com o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, comecei aos 15 anos a exercitar a leitura de ironias, tão necessária à compreensão de narrativas.
Com o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, comecei aos 15 anos a exercitar a leitura de ironias, tão necessária à compreensão de narrativas.
Concluí de que alguém que utiliza ironia em texto não passa impune pelos críticos de plantão, pela falta do exercício dessa leitura em específico; mas por outros fatores como a incapacidade argumentativa, provinda também da pouca leitura e informação; e a carência de senso crítico. Aquele desconfiar evolutivo que faz da dúvida gerada a busca pelas respostas, visto que é ponte e sem ele não há possibilidade de ligação da informação até o outro lado onde está o conhecimento.
O dia a dia da maioria dos brasileiros passa pelo rito dos vídeos rápidos, das pequenas frases de fácil compreensão acompanhadas de fotos ou desenhos deveras curiosos. Essa tem sido a 'leitura' mais usual, e às vezes a única. Hábito que não exige grande raciocínio. Tosco, por isso de fácil entendimento. O ato de ler sem narrativa ou editoria, apenas pela associação imatura a elementos já construídos durante a vida do sujeito e reconhecidos por ele. Desta forma, por rápida identificação, acabam por surtir grande resultado, 'visualização' (e o termo aqui diz como o processo se dá), e likes.
ssa grande parcela não se seduz ao convite de completar uma narrativa, embarcar na aventura às letras lidas. É o tipo de aventura com riscos aos quais não estão preparados. E assim mudam-se rumos e até se elegem presidentes em todo o mundo.
A propósito, para honrar a ironia e todas suas sutilezas: um viva ao Whatsapp! E saudades de quando apontávamos os dedos às telenovelas.
Publicitária e escritora
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