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Opinião

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- Publicada em 15h46min, 25/11/2020.

Inferno brasileiro

Fernando Goldsztein
Certo dia, um sujeito sem bons antecedentes morreu e foi parar no inferno. Ao chegar, para sua surpresa, foi recebido pelo próprio diabo que lhe ofereceu duas opções. Poderia escolher entre o inferno inglês e o inferno brasileiro. Surpreso, o recém chegado perguntou qual seria a diferença entre os dois. O diabo, calmamente, explicou que no inferno inglês come-se um potinho cheio de areia todos os dias. Já no brasileiro, come-se diariamente um balde inteiro de areia. Sem pestanejar o sujeito escolheu o inferno brasileiro. O diabo, atônito, perguntou por que ele havia optado em comer um balde de areia diariamente se tinha a opção de comer só um potinho? Ora, disse o sujeito com ar de sabedoria, no inferno inglês sei que terei que comer um potinho de areia implacavelmente todos os dias. Porém, no brasileiro, quando tiver areia não terá balde e quando tiver balde não terá areia... Esta piada é antiga, porém extremamente atual.
Certo dia, um sujeito sem bons antecedentes morreu e foi parar no inferno. Ao chegar, para sua surpresa, foi recebido pelo próprio diabo que lhe ofereceu duas opções. Poderia escolher entre o inferno inglês e o inferno brasileiro. Surpreso, o recém chegado perguntou qual seria a diferença entre os dois. O diabo, calmamente, explicou que no inferno inglês come-se um potinho cheio de areia todos os dias. Já no brasileiro, come-se diariamente um balde inteiro de areia. Sem pestanejar o sujeito escolheu o inferno brasileiro. O diabo, atônito, perguntou por que ele havia optado em comer um balde de areia diariamente se tinha a opção de comer só um potinho? Ora, disse o sujeito com ar de sabedoria, no inferno inglês sei que terei que comer um potinho de areia implacavelmente todos os dias. Porém, no brasileiro, quando tiver areia não terá balde e quando tiver balde não terá areia... Esta piada é antiga, porém extremamente atual.
Lembrei-me dela ao ler no Estadão de domingo, 22 de novembro: “Saúde pode ter de jogar no lixo 6,8 milhões de testes de Covid-19”. É inacreditável, mas infelizmente é verdadeiro. O Ministério da Saúde está na iminência de descartar milhões de testes RT-PCR (o padrão ouro para a detecção da Covid-19) pois os mesmos perderão a validade nas próximas semanas. Pois, vejam que o governo federal alega que estados e municípios não solicitaram o envio dos testes, enquanto os estados e os municípios, por sua vez, argumentam que de nada adianta os testes sem os reagentes químicos necessários para obtenção dos resultados.
Portanto, se tem areia não tem balde e se tem balde não tem areia… Importante destacar que o Brasil tem tido uma postura muito tímida, para dizer o mínimo, na utilização de testes. Os países que fizeram massivo uso de testes obtiveram resultados muito melhores na gestão da pandemia. Não obstante sermos a nona economia mundial, somos apenas o centésimo segundo país em número de testes por milhão de habitantes. Já no ranking de mortes, também por por milhão de habitantes, ocupamos, não por acaso, um desonroso nono lugar.
A desorganização e a desarticulação das políticas públicas de saúde tanto a nível federal, quanto estadual e municipal; a corrupção desenfreada; os interesses políticos à frente dos interesses do País; entre outros, são os principais motivos que contribuíram para estes péssimos resultados. Está mais do que na hora da sociedade cobrar fortemente as reformas estruturantes tão propaladas pelo governo e tão importantes para o nosso futuro.
Como muito bem disse (num outro contexto) o candidato a vice-prefeito de Porto Alegre, Ricardo Gomes: “Se não agora, quando?” Pois que o ano de 2021 seja um ano focado no bem comum e não em interesses políticos e eleitorais! Que o ano de 2021 seja um ano de reformas e privatizações! Avante Brasil! Não temos mais tempo a perder.
Empresário da construção civil
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