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- Publicada em 15h45min, 25/11/2020.

Projeções do Boletim Focus

Christian Azevedo
O Boletim Focus divulgado no último dia 20, pelo Banco Central do Brasil, melhora ligeiramente a previsão de queda no PIB brasileiro para 2020, de 4,66% para 4,55%. Para 2021, o relatório, que tem a pretensão de medir a expectativa do “mercado” quanto aos principais indicadores da economia do País, também aumentou levemente a previsão de crescimento da economia de 3,31% para 3,4%. Em janeiro, o documento apontava otimismo, com expansão do produto interno em 2,3%. Até então, pouco se sabia quanto ao potencial de alastramento da Covid-19 a partir da China.
O Boletim Focus divulgado no último dia 20, pelo Banco Central do Brasil, melhora ligeiramente a previsão de queda no PIB brasileiro para 2020, de 4,66% para 4,55%. Para 2021, o relatório, que tem a pretensão de medir a expectativa do “mercado” quanto aos principais indicadores da economia do País, também aumentou levemente a previsão de crescimento da economia de 3,31% para 3,4%. Em janeiro, o documento apontava otimismo, com expansão do produto interno em 2,3%. Até então, pouco se sabia quanto ao potencial de alastramento da Covid-19 a partir da China.
À medida que foram ficando mais claros os indícios de uma pandemia global, as previsões foram sendo revisadas para baixo. No dia 20/3, o relatório apontou uma expectativa de que o PIB crescesse 1,48% em 2020. A “ficha” do mercado só parece ter caído, todavia, na medição seguinte: no dia 27/3, a projeção apresentada foi negativa, em -0,48%. Ainda assim, uma expectativa bastante otimista frente à pandemia que se alastrava de forma acelerada pelo mundo.
Desde então, a “ficha foi caindo” de forma persistente, até atingir seu patamar mais baixo, em torno de -6,5%, no início de junho, mesmo com projeções do Banco Mundial e do FMI, para a economia brasileira, de queda em torno de 9% em 2020. Um mês depois, as expectativas passaram a melhorar uma medição após a outra, até chegar na casa dos 4,55% de queda previstos.
Quanto à relação dívida-PIB, o documento aponta que a dívida líquida do setor público, que faz a compensação entre débitos e créditos do setor público não financeiro, excluindo a Petrobras e a Eletrobrás, mas incluindo o Banco Central, deverá fechar o ano em 67%, um salto de mais de 15% em relação ao dado constatado em março, antes de a pandemia se alastrar pelo País (51,77%). Já para a inflação, o relatório aponta que o IPCA deverá crescer 3,53% em 2020 e 3,47% em 2021, pouco acima da previsão anterior, mas dentro da meta estabelecida pelo Banco Central para este ano: entre 2,5% e 5,5%.
Já é sabido que o relatório Focus, nos últimos anos, tem sido bastante otimista no que diz respeito a previsões de crescimento do PIB, e isso é tanto verdade quanto maior for o horizonte de estimativa. As projeções do mercado, desde 2017, têm sido exageradamente otimistas, com expectativas no horizonte de um ano estando acima do crescimento real do PIB em cerca de 1%. Nesse sentido, assim como no início de 2020, as previsões do boletim não levavam em conta o avanço do coronavírus, mesmo quando seus efeitos sobre a economia já eram bastante visíveis na Europa e na Ásia, os especialistas consultados pelo Banco Central parecem não contar com uma possível segunda onda da pandemia em 2021, que já dá sinais neste fim de ano.
Da mesma forma, parecem não levar em conta o fim do auxílio emergencial, que deve acontecer em dezembro. Portanto, apesar de alguns sinais claros de retomada da atividade econômica, sobretudo a partir do final do segundo trimestre, quando as parcelas do auxílio emergencial se fizeram sentir no bolso de mais de 60 milhões de brasileiros, a se confirmar o otimismo exagerado do mercado, a queda no PIB brasileiro deverá ser em torno de 5%, o que, sem dúvida, é bastante preocupante.
No que diz respeito ao aumento da relação dívida líquida do setor público e PIB, já era esperado, não apenas pelo aumento dos gastos do governo com transferências, mas, principalmente, pela redução da atividade econômica em decorrência da pandemia, que poderia ter sido muito maior não fosse o auxílio emergencial.
Quanto à inflação, não há mais dúvidas, mesmo entre os mais apegados ao monetarismo clássico, que os temores de descontrole inflacionário, no início da pandemia, quando se cogitava conceder o auxílio emergencial, foram totalmente infundados. As previsões de inflação continuam, todas, confortavelmente dentro da meta estipulada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Enfim, de novo a reflexão a ser feita é: o que deve ser resolvido no momento, o aumento da dívida ou o baixo crescimento da economia? De qualquer modo, parece que o pior já passou, e a retomada já começou.
O auxílio emergencial foi o fator determinante nessa retomada da economia. Não só, apesar do exagerado otimismo, o relatório Focus aponta isso, mas o próprio Índice de Confiança do Consumidor (FGV), que, de janeiro a maio, havia caído mais de 20% e, desde então, já acumula alta de 6%.
Para o ano que vem, ao que tudo indica, a economia deverá crescer de forma mais consistente, mas, novamente, um número inferior à projeção do mercado, que, hoje, está em 3,5% para 2021.
Auditor-fiscal da Receita Estadual/RS
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