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Porto Alegre, sexta-feira, 13 de novembro de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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- Publicada em 15h58min, 13/11/2020.

A difusão da política em ambiente técnico e profissional

Paulo Gomes
Vez ou outra surge nas manchetes a notícia de que algum órgão técnico, governamental ou privado foi aparelhado para atender interesses específicos ou pessoais, movido por viés ideológico. Uma prática absolutamente condenável. Esse tipo de situação coloca nos holofotes os profissionais que deveriam zelar pela ética, imparcialidade e isenção na condução da gestão pública ou privada, mas que ao exaltarem suas ideologias de forma acintosa, promovem desgastes e perdas de credibilidade, tão necessárias para manter as receitas oriundas dos contribuintes, associados ou de investidores.
Vez ou outra surge nas manchetes a notícia de que algum órgão técnico, governamental ou privado foi aparelhado para atender interesses específicos ou pessoais, movido por viés ideológico. Uma prática absolutamente condenável. Esse tipo de situação coloca nos holofotes os profissionais que deveriam zelar pela ética, imparcialidade e isenção na condução da gestão pública ou privada, mas que ao exaltarem suas ideologias de forma acintosa, promovem desgastes e perdas de credibilidade, tão necessárias para manter as receitas oriundas dos contribuintes, associados ou de investidores.
O processo se desenrola de forma negativa quando uma instituição ou organização elege seus dirigentes pelo voto sem que haja uma estrutura de governança rígida, com procedimentos internos e compostos de mecanismos de controles, capazes de analisar, de forma detalhada, as qualificações técnicas dos elegíveis. Esses parâmetros são fundamentais para garantir que os candidatos possuam conhecimento e experiência em gestão para assumirem determinados cargos.
Na grande maioria das vezes, as campanhas realizadas por quem pretende o cargo são bem similares àquelas de políticos profissionais, que usam a famigerada ‘troca de favores’, inclusive recebendo até doações em espécie, para alcançar o cobiçado posto dentro da organização em que ele atua. Exatamente como acontece na política, uma vez eleito, a cobrança bate à porta, consolidando um ambiente de conluio, cuja vítima será a entidade e todos aqueles que dependem de sua estrutura eficiente.
Entre os métodos rotineiros usados no pagamento aos aliados ideológicos e financeiros de campanha, temos uma ação quase institucionalizada, de forte efeito: trata-se do devaneio causado pelo nepotismo, no emprego de parentes em posições estratégicas da organização, como os setores de recursos humanos, financeiros, compras e de tecnologia.
Além de pessoas, são feitos contratos de serviços terceirizados que envolvem as áreas acima citadas. A grande maioria das organizações precisam de uma agência de viagens, contratos de tecnologia da informação, manutenção das instalações e gestão de suprimentos. É aí que entram os financiadores e apoiadores de campanha a fim de recuperarem o que foi investido.
Essa comunhão entre ideologia e interesses escusos se traduz no que em auditoria chamamos de conflito de interesse, que geram frutos amargos culminando na existência de milhares de instituições que acabam sendo usadas como fantoches por pequenos grupos, em diversas áreas de atividades produtivas. Os resultados são quase sempre os mesmos: enfraquecimento da instituição, um aumento do custo dos contribuintes, associados ou acionistas e a percepção de desconfiança, descrédito e insegurança que afeta a imagem da organização.
A única solução para evitar esse tipo de ação é implantar uma política de governança corporativa moderna e robusta, apoiada por profissionais de compliance e auditoria interna, além de contar com atos normativos, procedimentos formais, e punições severas para mitigar esse tipo de prática que certamente sugará os recursos em um pequeno espaço de tempo.
Para garantir que o processo seja seguido à risca, de acordo com as normativas existentes, é necessária a implantação de uma equipe de fiscalização imparcial e independente, capaz de monitorar os critérios para arbitrar e avaliar os riscos de surgimento de ervas daninhas causadas por ideologias ou interesses ilícitos durante cada mandato. O lado escuro da política em eleições de entidades atua como um freio ao pragmatismo, capaz de inibir o crescimento sustentável de uma organização. Porém, não há adubo natural mais potente que o composto entre transparência e ética.
Diretor-geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil
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