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Porto Alegre, quarta-feira, 11 de novembro de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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- Publicada em 18h57min, 11/11/2020.

Eleição e veneno

João Roberto A. Neves
Ortega y Gasset dizia que a alma do povo se revela em cada escrutínio, como se a eleição fosse o espelho da psique coletiva. Isso vale tanto para certos países, onde já nem existe eleição para prefeito, e sim nomeação de administrador profissional, sem vínculo partidário, como para nações em que o contribuinte é penalizado com um custo absurdo das votações, fundo partidário, etc., e o eleitor esclarecido vislumbre esperança no futuro, caso do Brasil, que teve sua primeira eleição em 1532, com a escolha dos membros do Conselho Municipal da Vila de São Vicente, em São Paulo.
Ortega y Gasset dizia que a alma do povo se revela em cada escrutínio, como se a eleição fosse o espelho da psique coletiva. Isso vale tanto para certos países, onde já nem existe eleição para prefeito, e sim nomeação de administrador profissional, sem vínculo partidário, como para nações em que o contribuinte é penalizado com um custo absurdo das votações, fundo partidário, etc., e o eleitor esclarecido vislumbre esperança no futuro, caso do Brasil, que teve sua primeira eleição em 1532, com a escolha dos membros do Conselho Municipal da Vila de São Vicente, em São Paulo.
Dessa época até hoje, só o Brasil oficial ganhou com os escrutínios. Basta um exemplo: em 2012, servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberam pagamento de horas extras no valor de R$ 9,4 milhões, após entraram em greve às vésperas das eleições; somados aos vencimentos, os valores adicionais permitiram a alguns desses servidores receberem, no fim de novembro, mais do que os próprios ministros: 161 servidores receberam de R$ 26.778,81 a R$ 64.036,74, valores esses da época. Neste ano, para a realização das eleições municipais de 2020, a Lei Orçamentária Anual (LOA), autorizou o uso de R$ 1,28 bilhão para custear todo o processo.
No País da propaganda eleitoral (que não é) gratuita, reina, por óbvio, alegria entre os candidatos, muitos milionários, alguns deles beneficiados com o auxílio emergencial. Mais de 23 mil beneficiários desse auxílio e do Bolsa Família fizeram doações para campanhas de candidatos a prefeito e vereador, inclusive em municípios com população de um bairro grande de São Paulo, cujo subsídio do prefeito é maior do que o do alcaide paulistano. A maioria desses municípios despende com pessoal quase 100% da receita corrente (valor arrecadado com tributos, contribuições e transferências federais e estaduais).
Interessante é que o tempo passa e não se fala na instituição do voto distrital puro com recall, etc. Apenas a mesmice e a retórica secular, em que inúmeros medem gestos, palavras e expressões, deixando a máscara devorar o rosto; Serve para o Brasil, pois, o título da matéria da revista britânica The Economist, de maio de 2002, que comentava a necessidade de antecipar a eleição na Argentina: “Deixem os eleitores escolherem seu veneno”. No Brasil escolhem desde 1532 por uma singela razão: “sem educação não há democracia” (John Dewey).
Advogado
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