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- Publicada em 15h41min, 02/10/2020.

Porque sou contra a volta às aulas

Jorge Barcellos
A pandemia transforma as relações entre alunos e professores. Saí a pedagogia (paidos=criança e agodê=condução) e entra a fobogogia (phóbos=medo). Não é mais o professor que conduz o processo de ensino, mas o medo, que produz problemas emocionais e cria uma atmosfera adversa ao ensino.
A pandemia transforma as relações entre alunos e professores. Saí a pedagogia (paidos=criança e agodê=condução) e entra a fobogogia (phóbos=medo). Não é mais o professor que conduz o processo de ensino, mas o medo, que produz problemas emocionais e cria uma atmosfera adversa ao ensino.
Antes os medos vinham de dentro do espaço escolar, das ameaças de brigas entre alunos, do temor a um professor. A escola nunca administrou um medo que vem de fora, de um vírus mortal. Os protocolos propostos prometem proteção, mas a custa de submeterem os alunos a uma tensão permanente. Não basta aprender conteúdos, é preciso vigília total sobre o próprio corpo e o dos colegas, é o império do currículo oculto onde os governantes nada mais fazem do que silenciar sobre o fato de que essas medidas produzem grande estresse. Haverá alunos que terão pesadelos. Por quê? Porque obrigamos os alunos a uma experiência de sala de aula sufocante quando este ambiente deveria propiciar uma experiência aerada, de liberdade.
Ao transformamos cada classe em verdadeiro bunker, com seu álcool gel, tapetes de higienização e quiçá, escudos, transformamos a sala de aula, que deixa de ser espaço pedagógico para se transformar em espaço sanitário-militar que produz novas formas de segregação e auto-segregação cujo efeito é mais medo e ansiedade. Essa atmosfera não é pedagógica, reproduz a sensação de prisão que os alunos viviam no lar e exigem deles um esforço escolar pelo cumprimento de um número de ações bem maior do que podem controlar na obrigação de vigília constante. A pandemia ressignifica a experiência da vida escolar, retira a ambiência que o espaço deve ter para situações de ensino e instaura uma nova hermenêutica na sala de aula.
A escola não é um depósito, é um ambiente. Propor o retorno às aulas é uma ideia ruim, pedagogicamente equivocada e que visa apenas reproduzir na escola os ritmos do capital. A única atitude possível neste momento é a da escuta: escutar as necessidades dos alunos, ouvir o relato de seu sofrimento e repensar os projetos pedagógicos. A questão é: o quanto estamos incluindo a escuta dos alunos nesse processo?
Doutor em Educação/UFRGS
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