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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de agosto de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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- Publicada em 03h00min, 07/08/2020.

A Matemática do coronavírus

Valny Giacomelli Sobrinho
O surto do novo coronavírus atiçou o apetite do ser humano para distorcer a realidade e evitar o raciocínio. Inata ou imposta, essa tendência degrada a Matemática, cujos iniciados viram apóstatas da realidade social, isolados numa pandemia sempiterna. Porém, nada é mais enganoso do que a impressão vulgar sobre o conhecimento científico. A ciência de verdade consiste na busca incessante de padrões ordinários, que se repetem em qualquer tempo e lugar; não no culto ao extraordinário, conveniente às enganosas "ciências" ocultas. Por não rimar com evidência, o que é "oculto" jamais será ciência.
O surto do novo coronavírus atiçou o apetite do ser humano para distorcer a realidade e evitar o raciocínio. Inata ou imposta, essa tendência degrada a Matemática, cujos iniciados viram apóstatas da realidade social, isolados numa pandemia sempiterna. Porém, nada é mais enganoso do que a impressão vulgar sobre o conhecimento científico. A ciência de verdade consiste na busca incessante de padrões ordinários, que se repetem em qualquer tempo e lugar; não no culto ao extraordinário, conveniente às enganosas "ciências" ocultas. Por não rimar com evidência, o que é "oculto" jamais será ciência.
Paradoxalmente, ocultar informações virou um atalho ardilosamente oportuno. Para recobrir com adereços "científicos" a evolução da Covid-19 no Brasil, o noticiário midiático logo descobriu a "média móvel". Decerto desconhecida de muitos, é improvável vê-la associada, como toda média, a uma perturbadora influência dos casos extremos, que a desqualifica como indicador muito confiável do que quer que seja. A média move-se no tempo, porque considera um número fixo de períodos pretéritos para mensurar o comportamento da variável que deseja avaliar e tentar prevê-lo no futuro. Contudo, em Dinâmica Populacional, reconhece-se amplamente que epidemias causadas por vírus e bactérias seguem uma trajetória "logística" de crescimento, cuja taxa de variação descreve uma curva (parábola) em forma de "U" invertido. Portanto, é normal que ocorra um grande crescimento inicial, seguido, mais tarde, de um declínio.
Assim, depois da inclinação (taxa de contágio) máxima da curva, as taxas de propagação diminuem até se anularem no "pico", a partir de onde ficam negativas. Estima-se essa parábola através de dados observados sobre a evolução do contágio. Depois, um cálculo matemático permite encontrar a função (curva) primitiva que origina essa taxa de variação (parábola).
Cada curva define com precisão estatística o ponto da trajetória em que nos encontramos. Não se trata de média de variação, mas do comportamento da taxa de variação em cada instante do tempo. Numa viagem, é como a diferença entre velocidade "média" e velocidade "instantânea", registrada no velocímetro em cada ponto do percurso. A velocidade média é uma descrição grosseira do que ocorreu em cada quilômetro percorrido. Nada diz sobre as interrupções da viagem ou mudanças de velocidade em cada trecho, como exige o novo coronavírus, rigoroso professor de Matemática.
Professor de Economia, Universidade Federal de Santa Maria/RS
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