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Opinião

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- Publicada em 03h00min, 05/08/2020.

Comunicação e Democracia

Alexander Goulart
Se há algo que a atual pandemia tem confirmado é a importância da chamada "comunicação de massa". A expressão é polêmica. Talvez seja mais adequado falar em grande público. Ainda assim, essencialmente, o objeto é o mesmo: fazer chegar uma mesma mensagem a grande maioria das pessoas, ainda que cada uma possa se constituir num público, uma vez que interpreta e reage de forma diferente ao que recebe.
Se há algo que a atual pandemia tem confirmado é a importância da chamada "comunicação de massa". A expressão é polêmica. Talvez seja mais adequado falar em grande público. Ainda assim, essencialmente, o objeto é o mesmo: fazer chegar uma mesma mensagem a grande maioria das pessoas, ainda que cada uma possa se constituir num público, uma vez que interpreta e reage de forma diferente ao que recebe.
Tão criticada ao longo de décadas, a grande mídia tem feito a diferença nesse tempo de obscurantismo. Qual tem sido a contribuição? Informar sem os filtros dos canais segmentados, fazendo valer o direito à informação.
A mídia, especialmente a imprensa, tem um papel fundamental quando se dirige ao grande público: dar visibilidade às pautas necessárias; fazê-lo pensar em coisas que, de outro modo, não pensaria. Hoje, o modelo preponderante nos países que possuem grande acesso à internet é a busca de canais segmentados, feitos "ao gosto do freguês". Por um lado, é muito bom, permite aprofundar e descobrir preferências particulares, formando comunidades homogêneas.
Contudo, corre-se o risco de perder uma dimensão essencial para uma sociedade democrática que, por natureza, é heterogênea: os temas comuns às grandes pautas sociais. Um sistema de comunicação e informação não cria a democracia, mas é condição para a sua existência. A grande mídia, que hoje faz uso da internet como ferramenta e plataforma, não salva o mundo. Nem os canais segmentados. O que transforma uma sociedade é a vontade política. Nas palavras do sociólogo francês Dominique Wolton, o instrumento não dá sentido à consciência, mas a consciência dá sentido ao instrumento. Por isso é tão urgente tratar a informação com responsabilidade, compreendendo que nem tudo que parece informação o é de fato. As fake news estão aí para nos lembrar disso. Credibilidade e o correto processo de produção da notícia seguem como pilares da verdadeira comunicação. Por isso a precisa-se de mediação, de jornalistas, radialistas, documentaristas e tantos outros profissionais que, se não são capazes de encontrar a verdade, têm o dever de ser honestos naquilo que publicam. A grande mídia não é a encarnação do mal. Como temos visto, lido e ouvido nos últimos meses no Brasil, é a grande mídia que tem sido, simultaneamente, uma janela para o mundo e uma lupa para a realidade dos fatos.
Jornalista
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