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Porto Alegre, terça-feira, 23 de junho de 2020.
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Opinião

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Alterada em 23/06 às 16h38min

João Pedro, presente

Juliana Coelho de Lavigne
Não é de hoje que corpos negros são vítimas de violência. Segundo a edição do Atlas da Violência de 2019, 75% das vítimas de assassinato em 2017 eram indivíduos negros. Lamentavelmente, esta é a realidade: discriminação, preconceito e violência contra a pessoa negra.
Não é de hoje que corpos negros são vítimas de violência. Segundo a edição do Atlas da Violência de 2019, 75% das vítimas de assassinato em 2017 eram indivíduos negros. Lamentavelmente, esta é a realidade: discriminação, preconceito e violência contra a pessoa negra.
Mais grave ainda é o racismo institucional, quando as instituições públicas ou privadas promovem a exclusão ou o preconceito racial. É comum notícias de mortes e abusos estatais contra pessoas negras. Recentemente, em Mineápolis (EUA), George Floyd, um homem negro, foi assassinado por um policial branco, gerando uma série de protestos. No Brasil, a realidade de violência estatal contra pessoas pretas não é diferente.
Os elevados números de homicídios de pessoas negras demonstram a vulnerabilidade a que estão sujeitas. Historicamente, o povo negro possui menor renda, menor escolaridade, como consequência de um processo abolicionista que não assegurou direitos básicos a esta população.
Para além dessa desigualdade, o racismo estrutural a que estão submetidos os corpos negros é latente. A sociedade, embora a legislação buscando lutar contra o preconceito racial, ainda apresenta em algumas falas e manifestações expressões de cunho racista. Fato, inclusive, presenciado em atividades esportivas e que merecem repúdio.
Todavia, assusta quando, em pleno século XXI, presenciamos manifestações remetendo a organizações racistas, reacionárias e extremistas que há muito foram extirpadas e combatidas. Tem-se um verdadeiro retrocesso humanitário.
Pior que isto, movimentos dessa natureza acabam por naturalizar a violência racial, seja por meio de ações institucionais, como a que se tem visto nas regiões periféricas, como a subjugação da população negra à discriminação.
A sociedade não pode ser permissiva a esses atos. Não é por acaso que inúmeros movimentos antirracistas foram veiculados nas redes sociais e ecoam na mídia. Não podemos tolerar a perda de corpos negros em situação de vulnerabilidade como ocorreu com o menino João Pedro e tantos outros que fazem parte desta triste estatística. Que não ocorram mais mortes ou atos de racismo, preconceito e discriminação, vidas negras importam. João Pedro, presente.
Presidente da Associação das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul
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