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Porto Alegre, segunda-feira, 20 de julho de 2020.
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Jornal do Comércio

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Opinião

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Artigo

- Publicada em 14h49min, 29/04/2020. Alterada em 18h21min, 29/04/2020.

John Wayne e o Dia do Trabalho

José Paulo da Rosa
Meu avô fabricava carroças no interior de Torres, numa localidade que hoje pertence a Mampituba. Meu pai trabalhava com ele e desenvolveu competências para ser marceneiro, ofício que desempenha até hoje, mesmo aposentado. Trinta anos atrás, Fernando Collor disse que os carros brasileiros eram carroças. A afirmação do ex-presidente não foi para elogiar o trabalho do avô Maturino, embora a qualidade dos produtos feitos em sua fábrica. Graças a uma política de valorização da produção local, as empresas brasileiras, à época de Collor, estavam acomodadas e incapazes de competir com as estrangeiras. Os trabalhadores, idem.
Meu avô fabricava carroças no interior de Torres, numa localidade que hoje pertence a Mampituba. Meu pai trabalhava com ele e desenvolveu competências para ser marceneiro, ofício que desempenha até hoje, mesmo aposentado. Trinta anos atrás, Fernando Collor disse que os carros brasileiros eram carroças. A afirmação do ex-presidente não foi para elogiar o trabalho do avô Maturino, embora a qualidade dos produtos feitos em sua fábrica. Graças a uma política de valorização da produção local, as empresas brasileiras, à época de Collor, estavam acomodadas e incapazes de competir com as estrangeiras. Os trabalhadores, idem.
Na passagem do Dia do Trabalho, lembrei desses fatos ao analisar os desafios que o Brasil enfrenta no pós-pandemia. O ofício de marceneiro ainda é importante, mas o uso de materiais, ferramentas e tecnologias transformou completamente a profissão, assim como todas as demais. As carroças ainda existem, mas perderam completamente a sua importância. A evolução tecnológica alterou o mundo do trabalho e, sem educação de qualidade, jamais conseguiremos competir com outros mercados.
A economia se movimenta em ciclos. Após a depressão que teremos com o confinamento, certamente virá um período de crescimento. Quando essa hora chegar, sofreremos novamente pela falta de pessoas qualificadas. A saúde está em primeiro lugar. Todavia, a educação deveria estar com os mesmos arreios da saúde, ombreada, lado a lado. O novo mundo do trabalho e suas profissões tecnológicas somente poderá ser vencido mediante uma sociedade com educação elevada.
Chegará o dia em que nosso governo, pressionado pela sociedade, entenderá a real importância da educação, de modo que não seja apenas obra de marketing eleitoral (Pátria Educadora), tampouco um ministério de segunda categoria. Enquanto esse dia não chegar, as empresas e os trabalhadores, assim como John Wayne, continuarão no tempo das diligências.
Diretor regional Sesc/Senac-RS
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