Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 21 de julho de 2020.

Opinião

Compartilhar

artigo

- Publicada em 20h38min, 27/03/2020. Atualizada em 20h38min, 27/03/2020.

Homo Sapiens

Leandro de Mello Schmitt
Há, aproximadamente, 2,5 milhões de anos, existiram seres com algumas características semelhantes às nossas. Para evitar grande polêmica, a maioria dos cientistas concorda que há 70 mil anos já começavam a se estabelecer as primeiras culturas de homo sapiens e há 12 mil anos começamos a deixar de ser caçadores-coletores para nos tornarmos agricultores. Nosso cérebro, conforme alguns pesquisadores têm observado, está evoluindo talvez como forma de se adaptar ao modus vivendi da era digital. Graças à esta complexa estrutura, em poucas dezenas de milhares de anos, alcançamos o topo da cadeia alimentar, compusemos música erudita, desbravamos o espaço sideral e desenvolvemos medicamentos contra quase a totalidade dos males que, junto com a evolução da espécie, passaram a nos assolar.
Há, aproximadamente, 2,5 milhões de anos, existiram seres com algumas características semelhantes às nossas. Para evitar grande polêmica, a maioria dos cientistas concorda que há 70 mil anos já começavam a se estabelecer as primeiras culturas de homo sapiens e há 12 mil anos começamos a deixar de ser caçadores-coletores para nos tornarmos agricultores. Nosso cérebro, conforme alguns pesquisadores têm observado, está evoluindo talvez como forma de se adaptar ao modus vivendi da era digital. Graças à esta complexa estrutura, em poucas dezenas de milhares de anos, alcançamos o topo da cadeia alimentar, compusemos música erudita, desbravamos o espaço sideral e desenvolvemos medicamentos contra quase a totalidade dos males que, junto com a evolução da espécie, passaram a nos assolar.
Mas, nos últimos meses, a maior preocupação dos sapiens recai sobre o novo coronavírus Covid-19. É uma pandemia que assusta a todos e, infelizmente, está causando enorme sofrimento e milhares de mortes.
Os sapiens, longe de ser a espécie mais forte ou melhor aparelhada no aspecto físico, em todo o reino animal, somente conseguiu sobreviver por milênios porque conseguiu desenvolver, a partir dos mitos, uma excepcional capacidade de cooperar, até mesmo com estranhos em certas ocasiões.
Ou seja, a nossa capacidade de cooperação nos distingue dos neandertais e de todos os demais hominídeos que já habitaram o planeta. Por outro lado, vivemos centrados apenas em nós mesmos, ainda que, paradoxalmente, boa parte do tempo conectados a redes sociais. Depressão talvez fosse uma doença desconhecida entre os primeiros sapiens. Suicídio existia? Antes da Revolução Agrícola, os caçadores-coletores baseavam suas economias exclusivamente nas trocas e na confiança. Após, começamos a estocar grãos e a morar em casas. Os primeiros sapiens, caçadores-coletores, não se preocupavam com o futuro e possuíam eficazes redes de proteção. Bom, mas em torno de 640 a.C., na Lídia, um meio eficiente de troca foi criado (o dinheiro), e muita coisa mudou.
Hoje, um sapiens médio precisa trabalhar dez horas por dia (ou mais), educar sua prole, pagar o financiamento da casa própria, contribuir para a previdência, fazer compras no supermercado, o que pode incluir produtos com validade superior a um ano, e rezar para não perder a batalha contra o corona vírus.
Em síntese, e longe de querer diminuir o tamanho do problema (Covid-19), são inúmeros os fatores que nos levam a pensar na nossa factualidade, na nossa finitude, no risco que é viver, enfim, no breve instante que é a vida humana no contexto das eras.
Professor no Curso de Direito e doutorando em Filosofia na Unisinos
Comentários CORRIGIR TEXTO