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Porto Alegre, terça-feira, 24 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Alterada em 24/03 às 03h00min

Um hospital contra o coronavírus

Montserrat Martins
Em contraste com a tragédia na Itália, em colapso sanitário e com mortes em profusão, impressiona a contenção do coronavírus na China, onde foram estabelecidas barreiras à circulação e preparadas instalações específicas para o tratamento do vírus. Porto Alegre não precisa reproduzir a façanha chinesa de construir um hospital em 10 dias porque já tem um pronto, desativado há poucos anos e muito apropriado para ser o hospital de referência para se tratar do coronavírus: o Hospital Parque Belém.
Em contraste com a tragédia na Itália, em colapso sanitário e com mortes em profusão, impressiona a contenção do coronavírus na China, onde foram estabelecidas barreiras à circulação e preparadas instalações específicas para o tratamento do vírus. Porto Alegre não precisa reproduzir a façanha chinesa de construir um hospital em 10 dias porque já tem um pronto, desativado há poucos anos e muito apropriado para ser o hospital de referência para se tratar do coronavírus: o Hospital Parque Belém.
Construído na década de 1930 para tratar a tuberculose, que não tinha cura na época, tem condições arquitetônicas e geográficas perfeitas para tratar uma virose agressiva ao sistema respiratório. Seus quartos e corredores são amplos, os tetos altos, em ambiente planejado para não concentrar partículas resultantes de tosses, espirros e secreções dos pacientes. A localização também é adequada, na área mais rural que urbana do município, onde circulam apenas os funcionários do próprio nosocômio. Com capacidade para até 250 leitos que estão abandonados há três anos, após impasse entre a prefeitura e o gestor do hospital filantrópico. Estar desocupado gera uma oportunidade ímpar de todo essa estrutura ser usada agora na luta prioritária e emergencial contra o surto de coronavírus que já chegou à Capital gaúcha. A prefeitura requisitou, num primeiro momento, os equipamentos disponíveis do Parque Belém para redistribuir a outros hospitais. Mas sabemos que a rede atual não será suficiente para assistência de milhares de porto-alegrenses, principalmente idosos, que necessitarão ser internados para ventilação nos casos mais graves.
A previsível falta de leitos pode ser minimizada com o aproveitamento dessa bela estrutura do Hospital Parque Belém e, para tanto, a prefeitura precisa agir rápido, com planejamento adequado e captação dos recursos necessários, se assim for preciso, junto ao governo federal, ou mesmo a eventuais doadores privados. Vidas serão perdidas diante da falta de planejamento, se nada for feito com antecedência. A higienização das instalações, a aquisição dos equipamentos necessários, o treinamento específico das equipes de saúde, tudo isso requer tempo precioso, que resultarão em mortes quando já estiverem faltando leitos.
O prefeito da Capital se mostrou atento ao coronavírus em suas declarações públicas, sem nunca menosprezar o risco da pandemia em Porto Alegre. Cabe a ele, agora, transformar o discurso em iniciativas práticas antecipatórias, como é o caso da reativação do Parque Belém.
Médico
 
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