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Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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- Publicada em 03h00min, 02/03/2020. Atualizada em 08h01min, 02/03/2020.

Chega de lambada

Paulo Siqueira
Há 30 anos, o ritmo da lambada tomou conta das noites brasileiras. Com um estilo frenético e sensual, exigia habilidade e desenvoltura para dançar, inibindo muitos clientes a frequentarem as boates e danceterias, causando perdas de faturamento que motivaram os donos das casas noturnas a decretarem: "Chega de lambada!". Lembramos dessa moda da lambada por ela nos remeter à atual dinâmica comercial do mercado de automóveis no nosso Estado.
Há 30 anos, o ritmo da lambada tomou conta das noites brasileiras. Com um estilo frenético e sensual, exigia habilidade e desenvoltura para dançar, inibindo muitos clientes a frequentarem as boates e danceterias, causando perdas de faturamento que motivaram os donos das casas noturnas a decretarem: "Chega de lambada!". Lembramos dessa moda da lambada por ela nos remeter à atual dinâmica comercial do mercado de automóveis no nosso Estado.
Desde 2015, assistimos à crescente participação das locadoras de veículos, que, travestidas de revendedoras, hoje, movimentam metade das vendas anuais das montadoras.
Fenômeno que permite às locadoras obterem expressivos lucros com a comercialização, e não através de sua atividade primária, a locação de veículos.
Tal fato resulta em perda de arrecadação significativa para o governo gaúcho. A uma: com suas desvantagens em relação à menor carga tributária das locadoras, as concessionárias não têm como competir no mercado, levando à redução de receitas e impostos. A duas: os automóveis faturados para as locadoras e emplacados em outros estados, mas destinados a circular aqui, não arrecadam nenhum centavo para o RS.
Estima-se que entre 25% e 30% das vendas potenciais de automóveis estão sendo desviadas para os canais de locação/revenda de locadoras sediadas em outros estados. Ou seja, cerca de 30 ou 40 mil carros novos por ano. Algo como R$ 150 milhões deixados de arrecadar em ICMS. Tudo isso, somado ao não recolhimento de IPVA e taxas de emplacamento, acarretam perdas de receitas anuais superiores a R$ 200 milhões para o Rio Grande.
Portanto, urge que o governo busque medidas práticas e eficientes, que viabilize revertermos este fluxo de recursos drenados para outros estados. Começando pela adoção de um novo regramento tributário: mais justo, competitivo, e equânime.
Como no caso daquela dança do passado, já passou da hora de acertarmos os passos e ritmos para a retomada de nosso crescimento econômico. Afinal, após anos seguidos de crise, estamos todos cansados de "lambadas".
Presidente Fenabrave/
Sincodiv-RS
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