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Porto Alegre, terça-feira, 11 de fevereiro de 2020.
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Jornal do Comércio

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Alterada em 11/02 às 03h00min

O beijo

Fabiana da Cunha Barth
Recentemente, entrou em debate a conduta de uma jovem vítima de tentativa de feminicídio. Segundo a imprensa, ela teria sido alvejada pelas costas pelo então namorado e, mesmo com projetis alojados no seu corpo, declarou que o ama. Ainda, beijou-o perante o órgão julgador e afirmou que pretende reatar o romance, já que "culpada" pela agressão, tendo-o provocado e sendo aquele um evento único de violência decorrente de sua conduta.
Recentemente, entrou em debate a conduta de uma jovem vítima de tentativa de feminicídio. Segundo a imprensa, ela teria sido alvejada pelas costas pelo então namorado e, mesmo com projetis alojados no seu corpo, declarou que o ama. Ainda, beijou-o perante o órgão julgador e afirmou que pretende reatar o romance, já que "culpada" pela agressão, tendo-o provocado e sendo aquele um evento único de violência decorrente de sua conduta.
Podemos ter opiniões diversas sobre o caso, a começar pela importância de que toda a vítima desse crime pudesse ter o devido acompanhamento psicológico, considerando que estatísticas demonstram que um feminicídio tentado tem grande probabilidade de, no futuro, ser consumado.
Por outro lado, há quem possa ver a situação com naturalidade, entendendo que a vítima pretende dar uma segunda chance ao agressor que se excedeu no uso da força, tendo presente os papéis tanto do homem quanto da mulher numa sociedade patriarcal, que reproduz, explícita ou implicitamente, e consolida a todo momento que o espaço de poder na sociedade e, por óbvio, na intimidade de cada lar, é do homem.
A reação da vítima deveria chocar a todos, visto que põe sob dúvida a própria previsão normativa em relação à reprovabilidade da conduta. Todavia, além disso, outro tema vinculado a esse deveria chamar a atenção na mesma proporção e tem-se revelado invisível: a ausência de lideranças/chefias institucionais em solenidades públicas.
O mês no establishment gaúcho iniciou com várias delas e, sem qualquer demérito das autoridades que tomaram posse e das que compuseram as mesas de honra, com representatividade e qualificação inquestionáveis, o que deveria ser objeto ao menos de reflexão são as razões para os espaços de poder serem ainda masculinos.
O poder vestir gravatas é cotidiano, mas isso não deveria igualmente nos chocar ou realmente nossas meninas têm sido educadas para continuar ocupando uma posição de subserviência na sociedade? As mulheres estudam, trabalham e executam muito, embora sigam liderando e chefiando pouco, cumprindo ordens em casa e fora dela.
Se efetivamente o beijo da vítima traz enorme desconforto, já é tempo de respeitarmos as lideranças femininas em espaços comuns e colocá-las em destaque. As importantes agendas do século XXI têm que ser enfrentadas por uma sociedade igualitária e infelizmente temos visto uma prática contrária a isso.
Secretária-geral adjunta da OAB-RS
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