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Porto Alegre, terça-feira, 07 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Edição impressa de 07/01/2020. Alterada em 07/01 às 03h00min

Déficit habitacional continua a desafiar os governos 

Sempre que são citados os desafios do governo federal, estão na frente educação, saúde e segurança. Com certeza, estas frentes de trabalho oficial devem ser equacionadas com projetos e planejamento de curto, médio e longo prazos, incluindo-se aí as administrações estaduais e mesmo municipais. Porém, uma outra questão tem sido pouco citada, embora sua grande importância para a paz e o equilíbrio social, que é a moradia.
Sempre que são citados os desafios do governo federal, estão na frente educação, saúde e segurança. Com certeza, estas frentes de trabalho oficial devem ser equacionadas com projetos e planejamento de curto, médio e longo prazos, incluindo-se aí as administrações estaduais e mesmo municipais. Porém, uma outra questão tem sido pouco citada, embora sua grande importância para a paz e o equilíbrio social, que é a moradia.
Está ficando claríssimo que a redução do crédito para financiamento de imóveis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das famílias tornaram o sonho da casa própria ainda mais distante para milhares de brasileiros. O déficit habitacional do País, que já era elevado, aumentou.
Levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017, dado mais recente.
A maior parte do déficit está nas famílias que ganham até três salários-mínimos por mês, mas a demanda por moradias também atinge consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso. Além disso, o medo do desemprego ronda milhões de famílias em que ainda há membros trabalhando no mercado formal.
As grandes construtoras têm feito lançamentos em Porto Alegre com uma boa aceitação. No entanto, a maioria está no nicho que somente a classe média ou mesmo média alta pode adquirir. Aí faltam os projetos mais populares, que estão em falta.
Sem recursos há anos, tanto a prefeitura da Capital quanto o governo do Estado são tímidos, quando conseguem, nos lançamentos de conjuntos habitacionais, aqueles que estariam ao alcance de quem ganha, mesmo que em nível familiar, até três salários-mínimos.
O ideal, nestes modelos de financiamentos populares, seria uma renda em torno dos cinco salários-mínimos por família, o que não é fácil nestes tempos de crise.
Tanto é assim que jamais se viu tantas ofertas de venda e aluguel em apartamento, lojas e outros módulos destinados ao comércio em geral, além de terrenos nos bairros de Porto Alegre.
A esperança é que neste ano de 2020 haja uma recuperação da economia. Com ela, mais pessoas em empregos formais e em condições de se lançar à aquisição de um imóvel.
 
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