Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 14 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

Artigo

02/01/2020 - 14h10min. Alterada em 02/01 às 14h10min

Cinderela negra

Antônio Carlos Côrtes
No mês de dezembro faço aniversário. Talvez por dádiva do Pai Maior fique mais sensível ao que observo na rua. Que a mulher sul-rio-grandense é bonita não se discute. Mas penso que cometem injustiça com as mulheres negras do Sul. Poderá o leitor dizer, mas e a Deise? Respondo: nomear pela exceção é confirmar a regra da ausência.
No mês de dezembro faço aniversário. Talvez por dádiva do Pai Maior fique mais sensível ao que observo na rua. Que a mulher sul-rio-grandense é bonita não se discute. Mas penso que cometem injustiça com as mulheres negras do Sul. Poderá o leitor dizer, mas e a Deise? Respondo: nomear pela exceção é confirmar a regra da ausência.
Pois no mês festivo natalino supra, me deparei do que chamarei de Cinderela Negra. Horário: 10 da manhã na esquina da Av. Borges de Medeiros com Andrade Neves no Centro-Histórico. Mulher negra e alta. Salto 15. Elegante. Vestido azul piscina. Bolsa de cor preta. Cabelos encaracolados, mas longo na altura de metade das costas. Não volumoso, mas vistoso. Linda. Cheia de graça. O poeta diria tratar-se de menina-moça. Vem e passa jogando perfume suave no ar. Seu balançar descendo a Borges, me fez lembrar nossas porta-bandeiras, porta-estandarte e passistas, durante os antigos carnavais ali acreditados. Lembro que solteiro, perguntava aos meus amigos onde se escondiam aquelas beldades o ano todo. Voltando à Cinderela, observei que seu andar era mais belo que todos os sambas-enredo que conheci. Nenhum coreógrafo poderia ensinar aquele ritmo de passadas largas. Nenhum iluminador poderia tentar cobrir sombras, pois o Rei Sol estava no comando. Resta-me escrever esta crônica dedicada às mulheres negras sul-rio-grandenses, Cinderelas negras de um tempo feliz. Mas muito mais que isto, recomendar que leiam a página 6 do Jornal do Comércio de 27,28 e 29/12.2019 Opinião Econômica assinada pela competente Cida Bento. Algumas das palavras-chaves: roupa branca, flores e oferendas. Riqueza das religiões afro-brasileiras. Ressignificar o voto. Maioria da população é feminina e negra. Não. Ao representante eleito que vira de costas. Dar sentido em 2020 as renovações e transformações. Africanidade e feminilidade negra, que constitui a cultura brasileira e arrebata milhões de pessoas nos rituais de fim de ano, é indício da força para mudar o jogo, tornando o Brasil mais humanizado, plural e justo.
Advogado, escritor e psicanalista
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia