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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

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Artigo

- Publicada em 03h00min, 27/12/2019. Atualizada em 03h00min, 27/12/2019.

Os anos pretéritos e o ano novel

João Roberto A. Neves
Ao falar no futuro, impõe-se discorrer sobre o passado, ainda que sucintamente. Afinal, como escreveu Quintiliano, mendacem memorem esse opportert (escrever requer, pelo menos, memória).
Ao falar no futuro, impõe-se discorrer sobre o passado, ainda que sucintamente. Afinal, como escreveu Quintiliano, mendacem memorem esse opportert (escrever requer, pelo menos, memória).
Com efeito, entra ano e sai ano, tudo continua como dantes em terrae brasilis. Afinal, são séculos de muita retórica de arrivistas, travestidos de Catão, que se apresentam como messiânicos salvadores da pátria, parasitismo, privilégios e, principalmente, roubalheiras, conforme prova um velho manuscrito existente na seção de obras raras do antigo Monastério de Santa Clara, ancestral do novo, que até hoje existe, em Nápoles, na Itália, porém sem as raridades do primeiro, parcialmente destruído pela erupção do Vesúvio de 1781.
Na antiga cripta, onde estão guardados os destroços da famosa biblioteca, encontram-se as edições princeps de velhas descrições de navegadores do século XVIII, entre as quais se destaca um relato em latim, com algumas expressões célticas, sobre o Brasil de 1700, de autoria supostamente de algum monge, ligado ao mosteiro referido alhures.
Constata-se no relato supramencionado que o Brasil, especialmente o oficial, não mudou muito. O País já era, àquela época, alegre e medíocre, quando despontavam corruptos e larápios, sendo costume não se fazer nada nem de noite, nem de dia, como acontece até hoje, de norte a sul, apesar dos bairristas entenderem que só os baianos têm aversão pelo labor.
Na descrição de um encontro realizado nos fundos de uma igreja, na Bahia, que se ressalte, começou tarde da noite, atesta-se que os problemas daquela época são bem atuais, o que pode ser corroborado pela transcrição parcial da obra sob comento: "Um senhor de voz rouca, que parecia ser admirado pelos presentes, sugeriu que, a partir daquela data, fosse proibida qualquer alusão ao fato de haver no País ladrões e corruptos".
Não é sem razão que neste país refratário à educação, ao poder do trabalho e da meritocracia, que é "dividido em duas classes, uma que rouba, outra que é roubada", frase de Henry Adams, originalmente pronunciada por Karl Marx, o povo, esta fera de muitas cabeças, para usar a definição de Shakespeare, continue cego e timorato, porquanto involuntariamente inculto. Afinal, miséria e ignorância perpetuam o status quo, tornando eternos antigos anos, continuando a penalizar os brasileiros decentes, que efetivamente produzem riquezas.
Advogado
 
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