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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Edição impressa de 23/12/2019. Alterada em 23/12 às 03h00min

EPTC em sintonia com a modernidade

Fabio Berwanger Juliano
Recentemente, um vereador de Porto Alegre optou por um título "radical" em seu artigo aqui mesmo, no Jornal do Comércio, para - propositadamente - chamar a atenção para o seu escrito. Confesso que sou simpático a esta tática, mas desde que nela venha contido uma verdade. Talvez pela proximidade de uma nova década que se avizinha temos um surto de discussões saudosistas, que vai desde séculos atrás em relação ao formato geométrico da terra, até poucas décadas do passado, período em que o carro era uma espécie de divindade e pensar em planejamento urbano era pensar somente em infraestrutura para automóveis.
Recentemente, um vereador de Porto Alegre optou por um título "radical" em seu artigo aqui mesmo, no Jornal do Comércio, para - propositadamente - chamar a atenção para o seu escrito. Confesso que sou simpático a esta tática, mas desde que nela venha contido uma verdade. Talvez pela proximidade de uma nova década que se avizinha temos um surto de discussões saudosistas, que vai desde séculos atrás em relação ao formato geométrico da terra, até poucas décadas do passado, período em que o carro era uma espécie de divindade e pensar em planejamento urbano era pensar somente em infraestrutura para automóveis.
Nenhuma cidade do mundo com qualidade de vida e desenvolvimento social mais justo continua neste modelo de ver a mobilidade. Os conceitos atuais não falam mais nem sequer em mobilidade urbana, mas sim mobilidade humana. Para quem não é do ramo, vou dar um exemplo bem fácil para que se entenda o quanto o mundo mudou: pergunte a jovens de 16 ou 17 anos qual o seu sonho ao completar 18 anos. A resposta da maioria não é mais "ter um carro". Fica fácil então de perceber que não podemos mais planejar as cidades pensando somente em automóveis, e repito, não mais somente em automóveis.
O que a EPTC vem fazendo é simplesmente compartilhar o espaço urbano, abrindo caminhos não para uma geração futura, mas sim para todos os porto-alegrenses que, hoje, já clamam por uma cidade mais democrática e moderna em matéria de trânsito e transporte. Faixas exclusivas para o transporte coletivo e ciclovias não são objeto de polêmicas no Primeiro Mundo. E que fique claro que não basta dizer que se é favor da bicicleta, pois querer ciclovias em vias sem estrutura ou que prejudicam o deslocamento racional e que estimulam o uso delas é uma sabotagem travestida de boa intenção.
Ciclovias, segundo diversas pesquisas, estimulam o comércio e a visibilidade dos estabelecimentos comerciais, e não o contrário. Estudos em Nova Iorque demonstraram um aumento de até 49% nas vendas do comércio na 9ª Avenida após a implementação de ciclovias. Em outros locais da cidade chegou a 102% de incremento nas vendas. Então não é uma regra o prejuízo do comércio, o que também não pode ser descartado, mas longe de ser uma regra como apregoam os defensores da monarquia do automóvel.
Somente em bicicletas e patinetes de compartilhamento, as viagens ultrapassam 1 milhão por ano em Porto Alegre. Propomos ciclovias e faixas exclusivas de ônibus compartilhando com os automóveis os espaços públicos de forma democrática e racional, sem radicalismos. E confesso que tenho medo de pessoas que em 2020 são contra isso e contra vacinas para crianças.
Diretor-presidente da EPTC 
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