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Artigo

30/10/2019 - 18h32min. Alterada em 30/10 às 18h37min

Resgate do amor próprio

Leci Maria Soriano Bobsin Corrêa
Em um passado não muito distante, chamar a atenção de alguém significava, por exemplo, colocar uma roupa extravagante, mas sempre em um ambiente físico. Hoje o termômetro para chamar atenção vem acompanhado do advento da Internet nas chamadas redes sociais da atualidade. No cenário contemporâneo, o físico - presencial - é o que menos importa, valendo mais os holofotes visualizados na web, a partir do número de likes recebidos, sendo o conteúdo postado apenas um coadjuvante na história.
Em um passado não muito distante, chamar a atenção de alguém significava, por exemplo, colocar uma roupa extravagante, mas sempre em um ambiente físico. Hoje o termômetro para chamar atenção vem acompanhado do advento da Internet nas chamadas redes sociais da atualidade. No cenário contemporâneo, o físico - presencial - é o que menos importa, valendo mais os holofotes visualizados na web, a partir do número de likes recebidos, sendo o conteúdo postado apenas um coadjuvante na história.
Em pesquisa recente realizada pela Universidade Humboldt de Berlim, foram entrevistados 357 universitários que acessam as redes sociais. O resultado da pesquisa foi de que a inveja é o sentimento mais presente nos estudantes, sendo o Facebook o protagonista do mundo virtual. Ainda, a história de uma jovem australiana de 19 anos - Essena O’Neil - com mais de 760.000 seguidores mostrou o lado obscuro da web ao revelar que sua vida era uma farsa. Antes de abandonar por completo as redes sociais, em entrevista desabafou: “nunca estive tão miserável. Likes, visualizações e seguidores não são amor”. Relatou ainda que desde os seus 12 anos de idade sacrificou-se ao máximo para ser uma pessoa perfeita, frustrando-se ao perceber que jamais seria feliz desta forma.
Para a Psicanálise, a necessidade de chamar a atenção é uma tentativa de preencher alguma lacuna do passado, na busca do amor e da aceitação do outro, em uma procura incessante por pertencimento e valorização. A realidade é que quanto mais esperamos pelo retorno das postagens no mundo virtual, mais tristes ficamos. É comum, por exemplo, que ao visualizar outras publicações, a pessoa acredite que a vida do outro é melhor que a sua, gerando angústia, baixa autoestima e frustração.
Ao fazermos comparativos na web, na busca desmedida por aceitação, só nos fará adoecer psiquicamente, despertando sentimentos de incapacidade e incompetência. Entender que somos imperfeitos e possuidores de fraquezas pode ser o primeiro passo para o resgate do nosso amor próprio.
Psicóloga clínica, professora universitária e administradora
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