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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

30/07/2019 - 14h07min. Alterada em 01/08 às 17h54min

A ferrovia necessária

José Maria Rodrigues de Vilhena
O movimento de cargas e pessoas no território de um país é como o sangue que circula num corpo. Através dele - o movimento -, conectam-se cidades produtoras e consumidoras no tabuleiro econômico. Há diversos modais de transporte disponíveis para isso. Nesta ágil análise, concentro minha razão no modal ferroviário. O Brasil, na sua história, teve um imperador visionário e, por esse motivo, ao chegar ao fim da monarquia, existiam no Brasil 11.000 quilômetros de ferrovias operando e 9.000 quilômetros projetados.
O movimento de cargas e pessoas no território de um país é como o sangue que circula num corpo. Através dele - o movimento -, conectam-se cidades produtoras e consumidoras no tabuleiro econômico. Há diversos modais de transporte disponíveis para isso. Nesta ágil análise, concentro minha razão no modal ferroviário. O Brasil, na sua história, teve um imperador visionário e, por esse motivo, ao chegar ao fim da monarquia, existiam no Brasil 11.000 quilômetros de ferrovias operando e 9.000 quilômetros projetados.
Na mesma estratégia, nos anos 1920, trens já rodavam numa malha de 22.000 quilômetros. O sistema ferroviário cresceu no País e apesar de deficiências na logística nacional, foi sem dúvida, fundamental no crescimento da economia e integração nacional. O tempo passa, e com ele veio o conceito rodoviário dos veículos automotores, trazendo vantagens e desvantagens.
A ferrovia foi impactada e seu futuro, no Brasil, comprometido. A pressão da indústria automobilística introduzida no País, e a politização dos sindicatos ameaçando boicotes, levaram os governos do regime militar a deixar a Rede Ferroviária Federal no ostracismo, ainda que, no governo do general Geisel, tenha havido uma real tentativa de retomar o sistema ferroviário. Era tarde, interesses poderosos já estavam no jogo com capacidade de neutralizar a retomada dos trens.
O modal ferroviário definhou de tal forma que na década de 1990 não havia outra atitude senão privatizá-lo. Muito Bem. É inquestionável a ação, mas, a maneira de realizá-la foi constrangedora. O processo de privatização implementou-se por regiões e sem critérios firmes de adequação técnica, onde se inclui padrões de bitolas, revitalizações de equipamentos e operacionalizações das linhas. O resultado foi o sucateamento da malha, em total descaso ficaram troncos e ramais sem importância comercial para operadora da região. É dizer, o processo resultou em modernização pífia e fim do transporte de passageiros.
A malha ferroviária brasileira, nos seus atuais 40.000 quilômetros, só transporta soja, minérios e produtos petroquímicos. Quase trinta anos da privatização das ferrovias, um negócio que só alcançou maximizar lucros de megacorporações industriais. Eis um exemplo clássico de má gestão pública, onde o bem estar da população dá lugar aos objetivos negociais globalizas. Até quando?
Engenheiro e consultor
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