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Porto Alegre, quinta-feira, 11 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

11/07/2019 - 15h13min. Alterada em 11/07 às 15h43min

No século dos robôs e da Inteligência Artificial, o que mais vale é ser humano

Amilton Rodrigo de Quadros Martins
O sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que, até o século 20, o ser humano valia mais “do pescoço para baixo”, devido ao reconhecimento do alto valor da capacidade de uso da força para atividades repetitivas. O trabalho braçal era feito por pessoas devido à falta de tecnologia da época. O autor conclui, então, que no século 21 o ser humano valeria mais “do pescoço para cima” e que teria seu maior valor na capacidade de pensar, refletir, inovar e criar.
O sociólogo italiano Domenico De Masi afirma que, até o século 20, o ser humano valia mais “do pescoço para baixo”, devido ao reconhecimento do alto valor da capacidade de uso da força para atividades repetitivas. O trabalho braçal era feito por pessoas devido à falta de tecnologia da época. O autor conclui, então, que no século 21 o ser humano valeria mais “do pescoço para cima” e que teria seu maior valor na capacidade de pensar, refletir, inovar e criar.
Nesta linha, o cientista Sílvio Meira aponta que os métodos de educação baseados em conteúdo sistematizam o conhecimento do passado para oferecer uma performance no presente, produzindo um estoque de saber. Enfaticamente, diz que o futuro não é de quem tem mais conhecimento, e sim de quem tem maior capacidade de aprender durante a vida. Segundo Meira, até meados de 2030, teremos mais 14% de vagas deslocadas para serem feitas por robotização ou Inteligência Artificial, dobrando o número de desempregados em relação a hoje. E finaliza dizendo que é preciso se focar nas pessoas e não nas atividades que se tornarão ultrapassadas. Isso só se faz com investimento em Educação.
Os referidos empregos obsoletos que vão desaparecer em todo o mundo massivamente em 15 anos são as atividades de máquina. Aquelas classificadas por De Masi como as realizadas “do pescoço para baixo”. Em geral são funções repetitivas, ineficientes, caras, lentas e poluentes, que nunca deveriam ter sido feitas por seres humanos. Concordo com Meira ao dizer que a educação conteudista – de decorar a fórmula e saber a resposta certa – se presta para formar pessoas exatamente para estes postos de trabalho moribundos. Tal método utiliza intencionalmente estratégias de aprendizagem baseadas na repetição e na memorização para estocar saberes.
A ciência nos mostra que, para formar pessoas com competências “do pescoço para cima”, baseadas em resolução de problemas e criatividade, precisamos focar em experiências educacionais transformadoras e intencionalmente para esse fim. Necessitamos fazer isso agora ou estaremos condenando nossas crianças já, na largada, a engrossar a fila dos desempregados.
Líder do InovaEdu IMED – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação
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