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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de julho de 2019.
Dia do Padeiro.

Jornal do Comércio

Opinião

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Edição impressa de 08/07/2019. Alterada em 08/07 às 03h00min

Por que empresas fecham no RS?

Fábio Branco
Em dois dias, três empresas fecharam no Estado, levando mais de 500 trabalhadores às fileiras de desempregados do País. Numa segunda-feira, a Duratex, em São Leopoldo, demitiu 480 pessoas. No mesmo dia, outros 18 funcionários eram desligados na planta da Nestlé, em Palmeira das Missões.
Em dois dias, três empresas fecharam no Estado, levando mais de 500 trabalhadores às fileiras de desempregados do País. Numa segunda-feira, a Duratex, em São Leopoldo, demitiu 480 pessoas. No mesmo dia, outros 18 funcionários eram desligados na planta da Nestlé, em Palmeira das Missões.
Em seus comunicados, Nestlé e Duratex traziam praticamente as mesmas justificativas: reorganização das atividades e centralização da produção em outras plantas, a fim de manter a competitividade. É o retrato da luta que os grupos empresariais travam para sobreviver em tempos nos quais a média do nível de ociosidade dos parques industriais supera os 30% no Brasil.
Mas foi o encerramento das atividades da Metalúrgica Bringhenti, de Guaíba, que mais me impactou. O último parágrafo da notícia publicada na edição de quarta-feira (03/07/2019) do Jornal do Comércio escancarou uma realidade que há muito percebo, reflito e trabalho para combater: a falta de um ambiente de negócios favorável e atrativo no Rio Grande do Sul.
Aos 69 anos, Ivânio Bringhenti, fundador da empresa que empregava 17 pessoas, conta que abriu o negócio aos 28 anos e hoje se sente cansado. O filho não demonstrou interesse na sucessão. Os investimentos necessários para manter a operação não valiam a pena. Nenhuma proposta interessante surgiu para que ele pudesse passar a empresa adiante. É o reflexo de todas as dificuldades vividas pelos empreendedores brasileiros.
Em 2018, o Banco Mundial divulgou relatório que coloca o Brasil no topo do ranking mundial da burocracia, com mais de 2 mil horas de trabalho e R$ 60 bilhões despendidos anualmente apenas em burocracia tributária.
A legislação tributária brasileira pesa aproximadamente 7,5 toneladas. É literalmente maior que um elefante! A constatação é do advogado Vinícios Leôncio, que acompanha o tema há 23 anos.
Nas nossas escolas, salvo raríssimas exceções, os alunos saem do Ensino Médio sem qualquer noção de empreendedorismo - algo que queremos modificar a partir do projeto de lei que protocolamos na Assembleia propondo a criação da disciplina de empreendedorismo e inovação nas escolas públicas do Rio Grande do Sul.
As empresas gaúchas e brasileiras não fecham por acaso. Elas fecham em razão das nossas práticas, da nossa mentalidade. Enquanto não fizermos uma profunda reforma tributária, enquanto não desburocratizarmos o Estado, enquanto não mudarmos nossa essência, nos transformando em empreendedores por natureza, e não por necessidade, continuaremos nessa montanha-russa.
Deputado estadual (MDB)
 
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