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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de junho de 2019.
Dia da Língua Portuguesa.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Edição impressa de 10/06/2019. Alterada em 10/06 às 03h00min

Existindo em plenitude

Vilnei Maria Ribeiro de Moraes
Estudos comportamentais afirmam que a inteligência só pode ser considerada como tal quando abrange todos os aspectos do existir. A racionalidade que movimenta o mundo moderno e se utiliza, por exemplo, de dados físicos, químicos, anatômicos, balísticos, administrativos e matemáticos é responsável, por apenas dois, entre outros dez fatores que medem a inteligência humana.
Ou seja, ao desprezarem-se, os aspectos filosóficos, espirituais, históricos e ecológicos, em função de ensinamentos práticos, estes acabam estimulando uma geração desprovida de sensibilidade, de senso crítico, e de senso holístico. A burrice ecológica e filosófica já destrói os meios de sobrevivência de muitas espécies e, junto a elas, acabará destruindo a sobrevivência do homem.
É comum ouvirmos que fulano de tal é muito inteligente porque domina uma área específica do conhecimento. No entanto, este mesmo sujeito pode ser um troglodita em termos de maturidade emocional; uma anta cabeluda em termos políticos ou filosóficos.
Some-se ao novo conceito de inteligência o fato de que o nosso cérebro também é especializado e dividido entre racionalidade e, digamos assim, subjetividade. Ou seja, podemos estudar profundamente uma ciência, virar gênio, e ao mesmo tempo ficar capenga em termos emocionais; murcho em outro hemisfério cerebral.
Diante dessa nova abordagem, é possível que o "existir em plenitude" só se torne possível ao valorizarmos todos os aspectos científicos e espirituais que a vida põe à nossa disposição. Daí surge um conceito importantíssimo que é o do equilíbrio das coisas - ele nos faz entender que podemos ser "homens equilibrados", interligados e inteligentes em todos os nossos aspectos sentimentais, culturais, sensoriais, científicos e espirituais.
Quanto a mim, depois de longa data dedicada à ciência, depois dos calos e bolhas adquiridos pelo andejar nos caminhos da vida, hoje entendo que não basta ser engenheiro - também é necessário ser poeta, escritor, filósofo, místico e apaixonado pela plenitude do existir.
A cada dia precisamos valorizar a nossa sensibilidade; perceber tudo de novo, uma vez que, por si só, a experiência nunca será suficiente num mundo onde tudo muda a cada momento; onde tudo se renova e nos desafia.
Engenheiro civil, Santa Maria/RS
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