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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigos

Alterada em 06/06 às 03h00min

Use os algoritmos a seu favor

Luís Cláudio Dallier Saldanha
Talvez você não saiba, mas é possível que alguns algoritmos estejam lhe privando de informações que alargariam seu horizonte. A personalização dos conteúdos pelos algoritmos pode reforçar nossas ideias, opiniões e escolhas. Mas antes que rotulemos os algoritmos como um vilão, é preciso reconhecer que eles podem ser um ótimo recurso. Os algoritmos organizam a ordem ou relevância em que as postagens aparecem em nossas redes sociais, ajudam o aplicativo de trânsito a apontar o melhor caminho para chegar ao destino e recomendam músicas de nosso gosto num serviço de streaming, entre outras possibilidades. No entanto, o uso dos algoritmos pode ser vivenciado como uma limitação, um entrave ao alargamento de nossas possibilidades e, principalmente, da nossa liberdade ou autonomia.
Algoritmos já foram usados indevidamente para obter dados, a fim de orientar campanhas políticas nas redes sociais. Outros algoritmos atuam na exibição de propagandas indesejadas e insistentes, após termos digitado o nome de algum objeto ou serviço num site de busca. Se considerarmos as redes sociais, é curioso perceber que quanto mais opiniões e impressões são publicadas, mais os indivíduos se limitam a ler o que reforça sua visão de mundo ou a navegar por conteúdos que confirmam seu ponto de vista. Torna-se mais difícil aprender com o que é diferente. É um grande desafio alargar as fronteiras do pensamento e de nossas experiências. Por mais que a informação esteja disponível nos meios digitais, não é simples encontrar e ampliar o leque de conteúdo que seja relevante, que não reforce nossos preconceitos e não nos prenda aos conceitos já conhecidos. Por isso, a criação e o uso de algoritmos inteligentes no auxílio de atividades de aprendizagem devem ir além da previsibilidade do comportamento dos estudantes ou da identificação das principais dificuldades ou gaps de aprendizagem. O enorme desafio para programadores, designers e educadores é desenvolver recursos e ferramentas de aprendizagem adaptativa que personalizem o aprendizado, considerando necessidades que vão além do conteúdo e atuem em competências socioemocionais, além de garantir o desenvolvimento do educando rumo à autonomia e à construção autoral do conhecimento.
Diante do crescente número de ferramentas que gamificam e adaptam o aprendizado conforme o perfil do aluno, não se pode abrir mão de uma apropriação crítica dos recursos tecnológicos, usando os algoritmos a nosso favor, a serviço da educação.
Diretor de Serviços Pedagógicos do Grupo Estácio
 
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