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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de maio de 2019.
Dia do Assistente Social.

Jornal do Comércio

Opinião

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editoral

Edição impressa de 15/05/2019. Alterada em 15/05 às 03h00min

Desemprego, competitividade e o desafio do País

A manchete da edição de 14 de maio do Jornal do Comércio é um trágico alerta para não apenas um município gaúcho, o de Gravataí, mas para toda a economia do País. A fábrica de pneus da Pirelli na Região Metropolitana de Porto Alegre será fechada, desempregando 900 pessoas.
Em paralelo, o Banco Itaú anuncia intenção de fechar nada menos do que 400 agências em todo o Brasil. São ações que tomadas isoladamente talvez não causassem tanto impacto e levassem autoridades e a população a refletir sobre o que está ocorrendo na economia brasileira.
No caso de Gravataí, a perda da Pirelli e seus 900 empregos é um problema. Realocar este formidável contingente não será fácil. Os desempregados vão deixar de consumir, o comércio afunda, os serviços de saúde serão demandados por operários sem planos de saúde.
Enquanto isso, a recessão se aprofunda, com uma projeção do Produto Interno Bruto (PIB) cada vez menor para 2019. No final do ano, tudo indica que ficaremos praticamente sem crescimento do PIB neste ano.
Segundo especialistas, há pensamentos liberais que apontam a abertura da economia brasileira como solução para os nossos já mais do que graves problemas socioeconômicos, com o desemprego em massa.
Na contramão destas ideias, temos o exemplo dos Estados Unidos, em luta comercial aberta contra a China, e cujas políticas agressivas do controverso presidente Donald Trump têm aberto empregos no seu país, ainda a primeira economia global, além de um crescimento consistente, muito festejado.
Trump implantou um grande número de proteções e tarifas, inclusive contra o aço brasileiro, para proteger a indústria siderúrgica deles.
No Brasil, técnicos econômicos pregam a abertura comercial, na qual nossas indústrias perderiam no confronto com o exterior. Essa atitude não será um caminho linear para a prosperidade.
Quanto à produtividade, nos EUA ela antes destruiu empregos da classe média industrial, levando a uma crise social aguda. No Reino Unido a busca pela produtividade deixou um rastro de desolação e desemprego no interior do País, o que levou à saída, ainda em debate, da União Europeia, com o Brexit.
Evidentemente, melhorar a produtividade deve ser uma meta constante para empresas e governos. Mas os efeitos disso nem sempre são lineares. Para a empresa, aumentar a produtividade é muito bom, mas para um País a análise é outra quando se perdem empregos em um ambiente recessivo como o nosso. A questão é como fazer uma transição, garantindo os avanços produtivos e econômicos, mas mantendo e criando empregos, além de dar sustentabilidade às empresas.
A automação exige investimentos, e quando há queda nas vendas o investimento é irremovível e o custo do capital tem que ser pago, enquanto empresas com menos automação e mais mão de obra podem ajustar mais facilmente seus custos.
A competitividade tem fatores políticos, econômicos, logísticos e cambiais. O Brasil é competitivo em muitos setores, a China tornou-se competitiva pelo baixo custo da mão de obra e a manipulação da taxa de câmbio.
As variáveis dessa capacidade de competir são infinitas, mas não podem ser simplificadas, como muitos julgam nos setores oficiais da economia brasileira.
 
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