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Porto Alegre, sexta-feira, 10 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 10/05/2019. Alterada em 10/05 às 03h00min

Selic fica em 6,5% ao ano, mas economia não reage

Confirmando a expectativa dos analistas financeiros, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) em 6,5% ao ano, pela nona vez seguida. No entanto, mesmo com uma Selic em um nível tão baixo, a economia nacional não dá sinais de uma retomada pelo menos um pouco mais forte. As grandes filas, como a vista em Porto Alegre no Auditório Araújo Vianna na busca por uma vaga de trabalho formal, com 3,2 mil pessoas sonhando com voltar ao mercado, são a prova de que continuamos patinando nos investimentos.
Descontando a inflação, os juros oficiais são um dos menores da história econômica do Brasil. Da mesma forma, o Produto Interno Bruto (PIB) tem sido rebaixado há 10 reuniões segundo a pesquisa Focus do Banco Central. A notícia desagradável é que, pela primeira vez em 21 anos, o Brasil ficou de fora da lista dos 25 melhores países para investir feita pela consultoria empresarial norte-americana A.T. Kearney. O País figurava no ranking desde 1998, quando o levantamento que segue a opinião de investidores estrangeiros começou a ser elaborado.
A consequência boa da Selic em 6,5% ao ano para as contas do deficitário Tesouro é a economia no pagamento dos juros para rolar a astronômica dívida pública federal, passando de R$ 3,75 trilhões. A Selic continua no menor patamar desde 1986, quando começou a série histórica do Banco Central. Mas, milhões de pessoas ficam intrigadas quando alguém cita que o mercado tem essa ou aquela percepção. Quem é, afinal, esse tal de mercado com tanta importância no nosso cotidiano? O mercado somos todos, coletivamente, e cada um de nós, com a nossa visão do que se passa.
A cada dia estamos colaborando para que o mercado faça suas escolhas, opções e manifeste vontades. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está com previsão de fechar o ano em pouco mais do que 4%. O centro da meta do Banco Central é 4,5%, com variação de dois pontos percentuais para mais, 6,5%, ou para menos, no caso 2,5%. Simultaneamente, é preciso que o governo corte os gastos de custeio.
Mas isso tem sido motivo de críticas. Ninguém quer abrir mão de nada na maioria dos ministérios e órgãos federais. Também nas categorias do funcionalismo e parlamentares que ganham bem acima da média salarial do setor privado, cerca de 60% a mais, segundo verberou, novamente, o ministro Paulo Guedes, na Câmara Federal. Não se pede - repetimos - um nivelamento por baixo, mas sim coerência de acordo com a capacidade da Nação.
Ainda temos tantas lacunas na educação básica, saúde e segurança, além de infraestrutura. A taxa de juros chega ao patamar tão almejado por todos, mesmo que ainda exista margem para um corte em 2019, por conta do fraco desempenho da economia, na opinião de analistas. Mas devemos ser prudentes nesta questão, pois pior será a necessidade de, logo adiante, ter que subir a Selic para evitar a inflação da demanda aquecida.
Porém, o que importa é que os juros estão baixos e a inflação dominada, mesmo com as críticas contra o custo do gás, da gasolina e do diesel. Mas, manter, como no passado recente, preços artificialmente baixos e que deram enormes prejuízos à Petrobras não é recomendável. Agora, o preço internacional do petróleo é que sinaliza o que é cobrado no Brasil, com variações. O que falta é a volta dos investimentos, com mais empregos.
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