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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de março de 2019.
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Jornal do Comércio

Opinião

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28/03/2019 - 03h00min. Alterada em 28/03 às 03h00min

Política externa dissonante

Luiz Eduardo Garcia da Silva
O saldo da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos expõe a falta de um projeto autônomo e bem articulado entre as forças políticas do atual mandatário e aquelas que o apoiaram durante a eleição do ano passado. Com a exceção do controverso acordo relativo ao uso da base de Alcântara, apenas o Brasil apresentou medidas concretas que, além de corroer ainda mais a imagem do País externamente, podem gerar desgastes no relacionamento do presidente com parcelas do setor agrícola.
Primeiramente, o anúncio do acordo que estabelece que o Brasil importará o trigo dos EUA isento de tarifas deixou representantes da triticultura preocupados, uma vez que terão no mercado brasileiro um concorrente que produz a um custo menor. Essa importação é até aceitável durante alguns períodos em que a oferta interna (incluindo aí a importação de trigo do Mercosul) é insuficiente para suprir a demanda. Porém, caso essa medida se torne a regra, é possível que haja um desestímulo à produção caso essa abertura comercial não seja compensada pelo governo aos produtores.
Aqui entramos num segundo ponto e que é de importância para o setor agrícola brasileiro: a desistência do Brasil de sua condição de país emergente no âmbito da OMC em troca do apoio norte-americano à sua entrada no OCDE. Com isso, o País deixa de ser beneficiário de uma série de prerrogativas legais previstas naquele órgão denominadas de Sistema Geral de Preferências (SGP). Dentre elas estão a permissibilidade de acesso a diferentes mercados sem a necessidade de reciprocidade, e a utilização de subsídios locais para fomentar a produção e exportação.
Ambas as medidas demonstram tanto a falta de um projeto de política externa quanto ilustram uma dissonância entre o Executivo e o setor agrícola nacional.
Cientista político
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