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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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24/03/2019 - 01h00min. Alterada em 24/03 às 01h00min

Acontecimentos legítimos da nossa língua

Guilherme Silveira Procianoy
O preconceito linguístico é uma forma de discriminação muitas vezes não percebida ou ignorada por nós, lusófonos, mesmo que possa causar sérios problemas no nosso cotidiano. Por esse motivo, as escolas de educação básica, que são frequentemente fomentadoras de preconceito linguístico, devem compreender que a nossa língua é dinâmica, e não estática, e que as variações fazem parte do idioma, devendo ser ensinadas e compreendidas ao invés de demonizadas.
Marcos Bagno um importante sociolinguista brasileiro defende que há um círculo vicioso de preconceito linguístico nas escolas, constituído de três elementos: a gramática tradicional, os métodos tradicionais de ensino e os livros didáticos. Esses fatores, em combinação, fazem com que as escolas só ensinem o português dito correto, sem espaço para formas alternativas de fala. É fundamental que haja a ruptura desse círculo vicioso, algo que só ocorrerá quando os professores começarem a ensinar as variações linguísticas presentes no Brasil como um fenômeno natural do idioma, e não como um defeito a ser corrigido. Uma maneira de fazer isso é mostrando textos de grandes escritores brasileiros defendendo o modo popular de fala como o verdadeiro português, tal qual fez Manuel Bandeira, no poema "Evocação do Recife". Desse modo, é importante destacar que a erradicação do preconceito linguístico é algo dificílimo de ser alcançado; contudo, podemos ao menos diminuir a sua incidência.
O Brasil é um país imenso e apresenta as mais variadas formas de se expressar utilizando a língua. Cabe-nos estudá-las e entendê-las, sem discriminar alguém pela forma de falar. Por isso, as escolas devem ensinar nas aulas que não existe um único português, e sim vários, e que, portanto, devemos tratar todas as variações como acontecimentos legítimos da nossa língua.
Estudante
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