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Porto Alegre, segunda-feira, 11 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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11/03/2019 - 01h00min. Alterada em 11/03 às 01h00min

Proibir não é a solução

Giuseppe Riesgo
Proibir a venda de bebidas alcoólicas foi a alternativa encontrada, em 2008, para amenizar a violência nos estádios de futebol. E muitos apostavam nesta ideia como solução para o problema. Apesar disso, a crença não se confirmou e as pesquisas comprovaram que a restrição ao consumo mostrou-se ineficaz.
Um estudo feito pelo sociólogo Maurício Murad revela que, mesmo após a proibição da bebida nos estádios em 2008, a violência seguiu crescendo. Entre 2009 e 2013, o número de mortes relacionadas ao futebol mais do que triplicou. Foi somente em 2014, com a modernização das arenas para a Copa do Mundo e com políticas efetivas de repressão e controle, que a violência começou a cair.
A redução dos índices passa por diversos fatores: melhoria da estrutura de fiscalização, com câmeras de monitoramento, biometria e cadastro dos torcedores; responsabilização dos organizadores pela segurança interna; legislação eficaz e rigorosa; e, principalmente, efetiva punição aos baderneiros. A proibição da venda de bebidas na parte de dentro dos estádios não é nem de perto o fator mais relevante. Ela, inclusive, potencializou o consumo de álcool na parte de fora dos estádios antes do início das partidas.
E assim, contraditoriamente, além de restringir liberdades individuais, a proibição também gerou um efeito perverso. As pessoas aglomeram-se no entorno, bebem até o último momento e ficam embriagadas de forma mais rápida. Ainda, provocou uma forte queda nas receitas dos clubes gaúchos, em especial os do interior. E o pior: não evitou que os baderneiro acessassem os estádios.
Culpar o termômetro pela febre não soluciona nada. Impedir a venda de cerveja na parte de dentro dos estádios é apenas um espantalho usado para mascarar a ineficiência do Poder Público em oferecer segurança. Não foi a proibição que reduziu os casos violentos pós-2014. Foi a efetiva atuação da brigada militar e do Ministério Público. Temos que responsabilizar os baderneiros, ao invés de punir o torcedor pacífico que deseja apenas torcer pelo seu time e se divertir. Chegou a hora de invertermos essa lógica.
Deputado estadual (Partido Novo)
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