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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019.
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Jornal do Comércio

Opinião

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27/02/2019 - 01h00min. Alterada em 27/02 às 01h00min

Mais além da dor

Montserrat Martins
A comoção com Brumadinho, com a dor das famílias, gera sentimentos de revolta com a falta de providências após a tragédia em Mariana, há três anos. Pela primeira vez houve prisões, agora, dos responsáveis técnicos pela barragem rompida, faltando investigar ainda as verbas destinadas pela direção da Vale a congressistas, para facilitar a aprovação de seus projetos. Somos solidários na dor, mas onde uma cultura do planejamento, da organização, da prevenção? Mais do que leis, um país é regido pelos hábitos de comportamento das pessoas. As Ciências Jurídicas e Sociais não reconhecem só leis e jurisprudência, mas também de "usos e costumes" - que parecem ser esse o "X da questão" no nosso caso. Começando desde a concepção do Brasil, como uma colônia fornecedora de matéria-prima, pois até hoje nossa economia gira em torno das "commodities", sem produtos com maior "valor agregado" - ou seja, seguimos nos mesmos moldes coloniais.
Nosso destino seria o "Terceiro Mundo"? Para a Coreia do Sul não foi, embora, na década de 70, estivesse no mesmo patamar econômico subdesenvolvido, hoje é um país com tecnologia de ponta, do qual importamos telefones Samsung e automóveis Hyundai. Fornecemos minérios baratos e recompramos produtos industrializados, mais caros. O agronegócio e a mineração aqui predominam em moldes predatórios, carentes de maior tecnologia e sustentabilidade. A Holanda é a segunda maior agroexportadora do mundo, em termos financeiros, atrás dos EUA e à frente do Brasil, com um território 250 vezes menor (33 mil km2, contra nossos 8,5 milhões de km2) graças à tecnologia para produzir mais e menos espaço. Que a dor, causada pelo nosso atraso, exponha a falta de um projeto de país com ciência e tecnologia, com produtos com valor agregado e técnicas modernas de produção. Indo mais além da dor, que ela nos motive em direção ao futuro.
Psiquiatra
 
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