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Porto Alegre, domingo, 03 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Edição impressa de 04/02/2019. Alterada em 03/02 às 01h00min

Negociações com Congresso para aprovar reformas

Bem antes do esperado, observadores da cena política nacional afirmam que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá que amenizar o tom de suas declarações como, da mesma forma, de alguns integrantes do seu ministério. As idas e vindas em medidas anunciadas demonstram uma falta de prática nas relações políticas e também junto à parcela da opinião pública que podem - e já está, segundo muitos - prejudicar a comunicação com parlamentares. Ainda que se espere que a renovação no Senado e na Câmara dará uma margem maior de apoio ao presidente e seus ministros, é preciso pensar bem antes de falar.
Na imprensa, há levantamento sobre os anúncios e posteriores recuos em várias ações. Isso prejudica a imagem perante a opinião pública, que ainda observa um grande crédito ao novo governo. Tanto é assim que houve reação positiva às declarações do ministro Paulo Guedes sobre a reforma da Previdência, em defesa da redução do tamanho do Estado e das privatizações.
A bolsa de valores tem batido sucessivos recordes e já ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos 97 mil pontos. O dólar comercial caiu de R$ 3,88, em 31 de dezembro, último dia da gestão Temer, para
R$ 3,68, valor também de dias passados. Mais discreto - mesmo que seja o mais festejado pela opinião pública -, o ministro da Justiça e Segurança Púbica, Sérgio Moro, prepara um amplo projeto de lei voltado ao combate à corrupção. Quanto à capacidade de articulação política do novo governo, motivos não faltam para desconfiança. Entre eles estão a inexperiência política de vários ministros e as dificuldades de conciliação de interesses de uma base social heterogênea, que inclui liberais privatistas, militares nacionalistas, evangélicos, corporações profissionais, ruralistas e outros segmentos.
Responsável pela interlocução com o Congresso, o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também tem feito muitas declarações que se chocam com as ditas anteriormente, até mesmo por Jair Bolsonaro. Isso traz desgaste, prematuramente, eis que o presidente e sua equipe têm 35 dias nos cargos.
É preciso talento para negociar e palavras bem colocadas para vender as novas ideias junto à população e ao Congresso. Os desencontros entre declarações de ministros e do próprio presidente - o anúncio do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) feito por ele e desautorizado em seguida por auxiliares é o principal exemplo até aqui. Também inspira dúvidas o modelo de negociação que Bolsonaro tem usado e promete levar adiante em seu governo, que consiste em priorizar as conversas com as bancadas setoriais - como a ruralista, a evangélica e a da bala - e deixar as cúpulas partidárias em segundo plano. Muitos revelam, ainda, descrença quanto à possibilidade de trabalhar com o Congresso sem algum tipo de troca de favores, a começar pela negociação de cargos no governo. Embora tenha feito prevalecer essa regra na formação do primeiro escalão, Bolsonaro tem contemplado aliados com nomeações nos estados e incorporado parlamentares que o apoiaram na eleição e que ficarão sem mandato a funções consideradas estratégicas para a articulação política no Congresso.
É muito cedo, evidentemente, para uma análise acurada do novo modelo de gestão. Com a posse da nova legislatura, dos novos presidentes da Câmara e do Senado, além da grande renovação com parlamentares estreantes e os desdobramentos das votações, aí, sim, será possível estabelecer uma análise sobre o andamento, não só das reformas, como também do relacionamento entre o Executivo e o Legislativo.
 
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