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Porto Alegre, terça-feira, 15 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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14/01/2019 - 01h00min. Alterada em 14/01 às 01h00min

Uma questão de humanidade

Gelson Santana
O novo governo brasileiro anunciou que o País deixará o Pacto de Migração, ao qual aderimos, junto a outros 120 países, há pouco mais de um mês. Para nós, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sticc), essa atitude não é oportuna, e por várias razões. Primeiro, somos um país mutimiscigenado. Se olharmos para trás, aqui mesmo, no Rio Grande do Sul, veremos que houve até mesmo incentivo para que japoneses, alemães, ingleses, franceses e italianos deixassem seus países de origem viessem para cá em busca de uma vida melhor, explorassem a terra e até mesmo ficassem com ela.
E vale ressaltar que o mundo não passava por uma crise tão grave quanto a que nós atravessamos hoje em dia. Esta é uma crise de inúmeras guerras, de falta de alimentos em alguns países, e de muita pobreza. É isso, e não qualquer razão menos importante, que faz com que as pessoas abandonem suas casas e cruzem o mundo por uma vida mais digna, exatamente como acontecia há mais de um século. É bom lembrar também que os avós maternos do presidente Jair Bolsonaro eram italianos e, do lado paterno, a família tem origem italiana e alemã. Por que seus parentes vieram para o Brasil? Não concordamos de maneira nenhuma e sob nenhum aspecto com esta decisão do governo brasileiro de sair do Pacto de Migração da ONU, que tem como único objetivo garantir a dignidade dos migrantes e refugiados.
Entendemos a atitude anunciada como um perigoso retrocesso do Brasil frente à humanidade - tanto no sentido da população mundial quanto da empatia para com o outro. Nós, do Sticc, temos um trabalho constante de apoio, cuidado, proteção e respeito aos migrantes, porque entendemos que, antes de serem deste ou daquele país, todos são pessoas, são seres humanos. Por fim, este governo se orgulha de falar muito em Deus, "Deus acima de todos". Bem, então deve ser um Deus diferente, pois o que nós conhecemos é o Deus de todos, que quer o bem de todos e protege a todos. Sem discriminar ninguém. É lamentável que, em pleno século XXI, ainda existam atitudes como esta.
Que parem de agir assim e comecem a cuidar e proteger as pessoas como elas.
Presidente do Sticc
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