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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 14/01/2019. Alterada em 13/01 às 01h00min

O mercado mundial e o futuro de Embraer e Boeing

Quando foi dito que a Empresa Brasileira de Aeronáutica, Embraer, deveria fazer acordo com a gigante Boeing, dos Estados Unidos, alguns não gostaram, afirmando que seria a privatização da maior empresa aeronáutica da América Latina, e a quarta maior indústria do setor no mundo. Engano, eis que a Embraer foi privatizada em 1994.
Sendo uma líder no nicho de aeronaves até 170 lugares, a empresa não poderia mais se acomodar, após o acordo entre a também gigante europeia Airbus e a canadense Bombardier, concorrente direta da nossa fabricante de aviões, inclusive militares.
Há anos que a Embraer vende aviões para companhias dos EUA, como a SkyWest, que já adquiriu 40 jatos regionais modelo E2 175, numa encomenda avaliada então em cerca de US$ 1,7 bilhão. O melhor é que a SkyWest firmou contrato prevendo outros 60 jatos do mesmo modelo, que foram entregues desde 2014.
Isso elevou os pedidos firmes para 100 unidades e o valor do acordo para US$ 4,1 bilhões, segundo preços de lista. Cada aeronave E2 175 tem preço de tabela de US$ 41,7 milhões. Da mesma forma, a fabricante brasileira vendeu 30 aviões à United Airlines.
Com o acordo sendo fechado com a Boeing, haverá um mercado mundial ainda mais aberto para colocação dos aviões montados no Brasil e que voam em praticamente todos os continentes, considerados os melhores na sua categoria.
Como o governo detém a famosa Golden Share, ou seja, ação que dá direito de veto em negócios da Embraer, o acordo com a Boeing teria que ser chancelado pelo presidente da República. Após reunião com ministros no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que a União não se opõe ao andamento do acordo da Boeing com a Embraer. Para ele, como para os ministros militares, que têm a Embraer em alta consideração, pois foi criada por inspiração de oficiais do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), sob a direção de Oziris Silva, ficou claro que a soberania e os interesses da nação estão preservados. Ora, é isso que interessa. E na aviação militar, uma joint venture dará 51% para a Embraer e 49% das ações para a Boeing, uma segurança.
Ignorando o acordo entre a Airbus e a Bombardier, aí sim a Embraer correria o risco de perder mercado para a forte união de concorrentes diretos. Mesmo assim, sindicatos de metalúrgicos paulistas estão contra, com medo, razoável, da perda de postos de trabalho. Mas, foram avaliados os diversos cenários e a conclusão foi a de que a proposta preserva a soberania e os interesses nacionais. Como a Embraer também fabrica e é líder regional no nicho de aviões executivos, continuará bem. É que a crise socioeconômica impulsionou um avanço da aviação desse setor no Brasil.
Sendo o mercado norte-americano um dos principais compradores dos aviões da Empresa Brasileira de Aeronáutica, que inclusive forneceu Super Tucanos para a Força Aérea dos Estados Unidos e que foram montados na Flórida, não faz sentido ver a Boeing como inimiga. É claro que seus dirigentes também analisaram muito o acordo e chegaram à conclusão que tendo a Embraer, como sócia, abrangerá um mercado para o qual ela não tem vocação. Da mesma forma, não faz sentido a nossa fabricante se aventurar em aeronaves de grande porte, para além de 170 lugares. Não teria como competir com a própria Boeing e a Airbus.
Dizem que não existe negócio que seja bom para os dois lados interessados. Neste caso, ambas fabricantes terão o mercado mundial à disposição. Até o final do ano, o negócio estará concretizado. Que assim seja, para o bem da Embraer.
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