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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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24/12/2018 - 01h00min. Alterada em 24/12 às 01h00min

Mimetismo

Jorge Claudio de Almeida Cabral
O naturalista inglês Henry Walter Bates, em viagem de pesquisa pelo Brasil em 1848, onde permaneceu por mais de 10 anos na Amazônia, observou na fauna brasileira a existência de indivíduos sob os aspectos da morfologia, cromatologia e etologia, seres que se aparentavam a outros.
Os naturalistas atribuíram tal capacidade como resultado do processo evolutivo para a manutenção da espécie. Surpreendentemente, esse disfarce de camuflagem escolhe um indivíduo de maior aptidão. Momentaneamente, subtraem a boa-fé de incautos do ambiente que em maior quantidade e potencialmente mais aptos são atacados por eles. Sem isso, concluíram que, naturalmente, e com mais facilidade, sucumbiriam ao habitat. A biologia não possui a resposta completa para este extraordinário fenômeno, embora se tenha conhecimento que nele reside um complexo de movimentos quase instantâneos para que haja alteração desde a estrutura atômica fisiológica bioquímica na forma e na pigmentação através de impulsos elétricos que permite a capacidade até de produzir odores em uma combinação falsa que se a semelha ao verdadeiro. Em síntese, mudam tudo, forma, cor, cheiro e comportamento para adaptarem-se ao ambiente (homotipia e homocromia). Esse processo Henry o chamou de mimetismo, da variação etimológica de imitação.
Tem como finalidade às vezes defender-se e outras vezes atacar como predadores quem deles achando ser o outro, aproximam-se, e, quando isso ocorre, os devoram com seu disfarce, quase como mutantes. No Brasil há diversos indivíduos que produzem o mimetismo. O mais comum nos dias de hoje é o Bicho-de-Pau, ou poderia chamar-se de Cara-de-Pau.
Disfarça-se de graveto, no verde, azul e amarelo, balança-se conforme o vento, inclusive, aparenta-se crédulo no que faz, ajoelhando-se como o Louva-a-Deus, o Camaleão e a Camaleoa.
Escritor e advogado
 
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