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Porto Alegre, segunda-feira, 24 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Edição impressa de 24/12/2018. Alterada em 24/12 às 01h00min

Sobre o endividamento financeiro

Anissis Moura Ramos
Dificilmente a pessoa endividada consegue dizer com clareza o que a levou para tal situação. Isso porque não avalia seu comportamento, sentimentos e forma de agir, fazendo tudo automaticamente. Alguns encaram o endividamento como algo natural do ciclo da vida, acreditam que as causas são externas e que o problema está na economia, isentando-se, assim, de responsabilidade assumindo a condição de vítima do sistema. Na realidade, o endividamento não está apenas atrelado a questões comportamentais.
O endividamento afetivo está vinculado ao sentimento de culpa que as pessoas carregam consigo em relação aos outros e é muito comum na relação entre pais e filhos. Os pais, por passarem o dia longe de casa, desenvolvem sentimento de culpa e, por isso, atendem a todos os pedidos financeiros dos filhos, independentemente de terem condições ou não.
O filho percebe o sentimento de culpa dos pais, e, de forma velada, se estabelece o endividamento afetivo. O endividamento simbólico todos nós temos. Quando alguém nos faz um favor, é comum pensarmos que ficamos devendo algo, e algumas pessoas acabam sentindo-se na obrigação de presentear quem lhe prestou o favor, mesmo que não tenham condições financeiras.
Associar o endividamento apenas a sintomas depressivos ou de ansiedade é negar algo mais profundo. A raiz do endividamento está armazenada no inconsciente e provavelmente está vinculada a situações vivenciadas no primórdio da vida do indivíduo. Por isso, pode-se dizer que o endividamento financeiro não é causa, mas consequência do endividamento afetivo. Se as pessoas não tentarem entender o que as leva a se endividarem, continuarão repetindo esse erro, que poderá se transformar em sofrimento psíquico.
Especialista em Psicologia Clínica
 
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