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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 01h00min

Acordos comerciais para reativar a economia

Novamente volta à discussão - que se prolonga há anos - o acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE). Convenhamos, já passou muito tempo para assinar algo que é, em princípio, do interesse dos dois lados do Atlântico. No entanto, os discursos e as promessas são muitos, mas há possibilidade de que o assunto tenha uma solução final em 2019.
Pelo menos é o que garantiu Rodolfo Nin Novoa, chanceler do Uruguai, ao final de uma reunião de ministros das Relações Exteriores do Mercosul realizada no Palácio Itamaraty. Esse prazo corresponde à janela de oportunidade existente antes da mudança do Parlamento Europeu e possível troca de comissários.
Do lado do Brasil, o otimismo de sempre, jamais concretizado. Coube ao nosso chanceler, Aloysio Nunes Ferreira, afirmar, mais uma vez, que houve muitos avanços nas negociações nos últimos dois anos.
Porém, alertou que ainda há pontos em aberto, e a reunião teve como objetivo ajustar posições no bloco antes da rodada técnica de negociações que se inicia nesta segunda-feira em Montevidéu. Importante é que a configuração do Brasil abre espaço para negociação com diferentes interlocutores.
Mas é preciso cautela em meio a essas placas tectônicas, segundo disseram alguns ministros em Brasília. Há, sim, possibilidade de se fechar um acordo que não seja tão ambicioso com a UE, mas que, pelo menos, seja semelhante ao que foi firmado pelos europeus com México e Canadá.
O problema é que, passados muitos anos de negociações, a União Europeia não quer abrir seus mercados, pressionada pelos produtores locais, principalmente os agropecuaristas de vários países, que não têm, exatamente, os mesmos interesses.
Mas, com a questão ainda conturbada da saída formal do Reino Unido da UE, o chamado Brexit, as possibilidades, agora, são maiores para uma conclusão do que será mesmo assinado, se é que será, entre os dois blocos econômicos - Mercosul e UE. Por isso, é bom saber que o governo federal renovou diálogos com Coreia do Sul, Singapura e Vietnã, que têm forte dependência da China e querem reverter esse quadro.
Não é, então, de estranhar quando a Organização Mundial do Comércio (OMC) criticou a política comercial adotada nos últimos anos pelo Brasil, com desembolsos bilionários e isenções tributárias, pois ela prejudicou a integração do País no mercado internacional e criou distorções na competitividade da indústria nacional.
A avaliação da OMC conclui que o mercado brasileiro ainda é relativamente fechado, que os produtos industrializados não conseguem competir no exterior, que a proteção às empresas locais minou a economia, e que, hoje, o País tem um papel marginal no comércio de manufaturados. Convenhamos, é uma crítica muito dura vindo de uma entidade que observa e faz comentários periódicos acerca das transações comerciais mundo afora. Mas não se pode negar, essa tem sido a realidade. Porém, não devemos nos curvar a certas políticas as quais, no fundo, são ditadas justamente pelos países mais ricos e industrializados e que, eles sim, querem o predomínio nas vendas globalizadas. Espera-se que, no encontro de hoje, dos representantes dos países integrantes do Mercado Comum do Sul, saia algum avanço nas conversações com os europeus.
Se não ocorrer esse avanço, convenhamos, tem razão o futuro ministro Paulo Guedes, o Mercosul, após 27 anos da criação, tornou-se irrelevante. Se é que teve mesmo importância no comércio em algum tempo, dentro e, mais ainda, fora do bloco. O comércio está mais globalizado do que nunca, e o Brasil não pode ficar de fora.
 
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