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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 05/11/2018. Alterada em 05/11 às 01h00min

Reforma política é a grande aspiração nacional

A sucessão presidencial deve contemplar uma aspiração nacional que é a reforma política. Temos partidos demais, deputados federais em excesso, são 513 - 12 ou 15 por estado seriam suficientes -, vantagens desnecessárias aos parlamentares, que se autobeneficiam, legislatura após legislatura, com auxílios disso e daquilo, muitos assessores, dois salários adicionais ao ano, passagens gratuitas, verbas de gabinete, além de outros penduricalhos. É um despropósito com o dinheiro público, ainda mais quanto temos a confirmação de permanentes déficits nas contas públicas.
Isso explica, e há consenso entre os parlamentares e políticos em geral, que o desinteresse nacional de milhões de eleitores nas eleições de 2018 adveio não apenas pelo sistemático noticiário sobre falcatruas em órgãos públicos com a conivência de alguns empresários, como também pelo excesso de partidos, com coligações que podem ser classificadas de estapafúrdias entre oponentes às vésperas dos pleitos, além da pouca representatividade de muitos candidatos, em um País com dezenas de partidos. Assim, emergiu, novamente, a vontade de uma reforma política que traga seriedade às eleições, aos partidos e aos candidatos. No último pleito, o número de abstenções, votos nulos ou em branco foi uma demonstração inequívoca de que os brasileiros cansaram do modelo atual. E não é de hoje, porém o estresse depressivo da população apareceu de forma inexorável com a política nacional. E o melhor medicamento para aliviar os sintomas e, em seguida, eliminar o cansaço se chama reforma política.
Muito falada, bastante divulgada, mas jamais colocada em prática, em discussão no Congresso Nacional. Manter as cláusulas de barreira e acabar com as coligações proporcionais seriam medidas bem-vindas.
Esses dois pontos têm resistência na Câmara, uma vez que atingem em cheio os chamados partidos nanicos. Segundo quase todos os analistas políticos, nada está mais claro do que a inviabilidade de continuar essa fragmentação partidária, com 35 legendas, muitas sem qualquer conexão com a sociedade.
O Brasil não tem 35 linhas de pensamento que justifiquem esse número absurdo de partidos com acesso aos recursos do fundo partidário, agora com R$ 1,8 bilhão, e que fez diminuir muito as campanhas de rua como era visto em outros pleitos. Mas, por causa da pouca verba, os partidos priorizaram dar dinheiro aos que tinham mandato, rejeitando os novatos, o que foi considerado bastante injusto. O valor destinado aos partidos está fora da realidade da penúria financeira que vive o País. Enfim, uma das reformas pelas quais se clama há tanto tempo tem, agora, desejo de ser aplicada pelo novo governo. Mas, se conseguir apoio no Congresso, o que sempre é difícil. Espera-se que ela seja debatida sem mais delongas, eis que sabe-se muito bem que o excesso de siglas e coalizões sem sentido não permitem um pleito da melhor qualidade. Então, que o atual presidente até dezembro e o eleito tratem de encaminhar as reformas previstas, entre elas a política. Algumas são antipáticas, mas necessárias. Não devem os congressistas pensar apenas nas próximas eleições, que estão longe e serão municipais, mas no Brasil para daqui 10, 20 ou mais anos. Como está - e não se precisa ser especialista em finanças - estaremos piorando os déficits nacionais, estaduais e municipais.
Vamos trabalhar com seriedade em termos parlamentares e aplicar aquela que poderá ser a mãe das reformas: a política.
 
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