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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 13/09/2018. Alterada em 13/09 às 01h00min

Corrupção está perdendo para o ordenamento legal

Outro político preso. Desta feita, foi a vez do ex-governador do Paraná Beto Richa, candidato ao Senado pelo PSDB. Na 53ª etapa da Lava Jato, a casa de Beto Richa foi alvo de mandado de busca e apreensão. Em sequência, o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), candidato à reeleição, sofreu mandados de busca e apreensão da Operação Vostok, da Polícia Federal (PF). A operação investiga o pagamento de propina a representantes da cúpula do governo de MS em troca de créditos tributários a empresas. Novamente, a opinião pública nacional fica com dois sentimentos. O primeiro, geralmente de tristeza e revolta, por saber das entranhas e acordos espúrios para surrupiar dinheiro dos tesouros oficiais.
Mas, ao mesmo tempo, o alívio por ver que tudo está sendo descoberto e os autores levados às barras da Justiça. Não há corruptos acima da lei e da sociedade.
As instituições, fazendo o seu trabalho, estão e continuarão a desarticular a teia de desvios de governos, esteja em qualquer lugar que tenham feito o seu nefasto caminho.
Se enfrentarmos a verdade sem pânico, com os mecanismos legais ao lado da sociedade, entenderemos o que ocorreu no Rio de Janeiro, um estado que mergulhou na pior crise da sua história. Ele foi, segundo procuradores da União e auditores da Receita Federal, assaltado por empreiteiras ainda por ocasião da Copa do Mundo de 2014. Obras que, ainda naquela ocasião, levantavam críticas, enquanto o então governador Sérgio Cabral acumulava elogios. Passamos por um autêntico calvário sem ética e um mínimo de respeito para com os concidadãos fluminenses, hoje sob o tacão da austeridade a qualquer preço, a fim de que, em 2019, pelos menos os vencimentos dos servidores ativos e as aposentadorias e pensões possam ser pagos.
O consolo é que, agindo em uníssono com procuradores federais e auditores da Receita Federal, a Justiça tem feito o seu trabalho. Com certeza recebendo aplausos da população que paga um aparato oficial e, depois, vê as vigarices sendo descobertas com bilhões surrupiados do erário.
Jamais antes os policiais federais, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público demonstraram tanta independência como agora. Sabemos que os brasileiros, com o que tem ocorrido, não deixarão de se sentir desconsertados, de terem dúvidas e de formular novas perguntas sobre como e por que isso aconteceu. Os que sustentam a máquina pública, ou seja, a maioria dos empresários de todos os setores e grandezas, e os trabalhadores públicos e privados estão enojados com a corrupção descoberta.
Há uma vontade nacional de que a corrupção seja combatida até as raias da máxima legalidade e por todos os meios possíveis.
Neste caso, dá para se citar o grande Ruy Barbosa, quando afirmou, há quase 100 anos, que "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos homens, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". Basta de licitações arranjadas - caso de Beto Richa - e obras com valores acima do mercado em um esquema de fraudes para beneficiar empreiteiras. O que ocorreu não é novidade nem será a última ocorrência do gênero.
Mesmo correndo alguns o risco, sistemático, de serem apontados como de extrema direita ou reacionários capitalistas, fica provado que, como estão, os serviços públicos, nos três níveis, no Brasil precisam de uma melhoria. E já. Em outubro, as eleições são um bom início e o melhor caminho para a depuração política. Sem tiros ou facadas, pois a arma do povo é o voto.
 
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