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Porto Alegre, quarta-feira, 01 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Edição impressa de 01/08/2018. Alterada em 01/08 às 01h00min

Eleições ainda sem grande empolgação popular

Antes, a opinião de muitos era que a realização da Copa do Mundo deixaria em segundo plano as preocupações com as eleições de outubro próximo. Mas houve uma apatia quase geral com relação ao grande torneio, pois a seleção brasileira, apesar da boa campanha na fase de classificação, não convenceu.
Assim como na Copa do Mundo, pesquisas estão mostrando um quadro de apatia muito grande para as eleições deste ano. A corrupção em larga escala e sendo desnudada quase que semanalmente com novas falcatruas, o desemprego em massa, a criminalidade crescente, a falência financeira de estados e municípios com gastos exagerados somados à menor arrecadação de tributos por conta da crise que paralisa o Brasil e a falta de ações concretas para resolver antigos problemas justamente nas áreas que mais interessam à população, educação, saúde e segurança, desanimaram os brasileiros. A classe política, infelizmente, está com o conceito baixo junto à opinião pública. Nem todos são culpados, mas a generalização acaba sendo inevitável, tal a quantidade de parlamentares de todos os partidos, praticamente, ou, pelo menos, de maior representatividade, sendo acusados, e alguns, até mesmo, presos. Assim, temos que esperar as complicadas negociações partidárias, até 31 de agosto, data inaugural dos programas de rádio e de televisão, que é mesmo quando começa, para valer, a campanha eleitoral. Porém, no interregno, viveremos anunciada batalha judicial que pode transferir do povo para os tribunais a eleição de nossos futuros dirigentes.
Sabemos que temos uma fragilidade na nossa vida democrática, abalada na República por tantos golpes de Estado e ditaduras. Confirmando o quadro de apatia com as eleições, pesquisas informam do desinteresse do eleitorado, motivado por inumeráveis fatores, entre os quais se destacaria o desencanto com a política, os políticos e os partidos. A frustração vem do sentimento do brasileiro e da brasileira comuns, para os quais - erradamente, aliás - a política não é a via de solução de seus problemas. É pensamento tanto mais arraigado quando os fatos, e principalmente a versão dos fatos, revelam os mandatários desapartados do mandato popular, os partidos perdidos, certos políticos e alguns dirigentes públicos associados em atos ilícitos.
Fruto desse quadro de ampla frustração nacional, nada menos que 33% do eleitorado, segundo pesquisas, declarou a decisão de renunciar ao direito de votar e escolher o presidente que vai comandar os destinos do País nos próximos quatro anos com mandato de prorrogar o status quo ou romper com ele, abrindo as sendas das esperanças perdidas. Não se trata de predizer o que pode resultar desse quadro de anomia, mas é preciso lembrar que ele tem sido, na história, o tapete vermelho sobre o qual caminham os salvadores da pátria. Analistas julgam que os grandes partidos terão suas bancadas reduzidas e maior será o crescimento do baixo clero, confirmando sentença atribuída a Ulysses Guimarães, para quem a próxima legislatura será sempre pior do que a sua antecessora.
Temos candidatos ainda em busca de alianças e companheiros para a vice-presidência. Como governar sem maioria parlamentar, submetido ao presidencialismo de coalizão? O programa de governo aprovado nas eleições tem sua execução entregue à infidelidade dos que o combateram no pleito? Então, que venha um eleito com programa que logre, desde logo, o apoio das grandes massas. E o cumpra.
 
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