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Porto Alegre, sexta-feira, 27 de julho de 2018.
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Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

27/07/2018 - 01h00min. Alterada em 27/07 às 10h34min

Discriminação

Carlos Salgado
O respeito às diferenças, vai impregnando nossa mente. Mas, as diferenças que aterrorizam se ampliam. Vejam duas cenas. Passeava com dois cães cimarrón pelo bairro. Quase em casa, notei dois jovens a descer a mesma avenida lado a lado. Antecipa algo ruim. Roupas coloridas de mau gosto. Medem a força dos dois cães de 30 quilos? Chego à porta de casa. Entro. Não fora estar com os cães Discriminação triste no domingo.
Saí novamente. São 20 minutos a pé até o clube. Mas, bem, a caminho do clube, trajeto habitual, mais discriminação. Ao cruzar outra rua do bairro, uma caminhonete preta, vidros pretos, invade a calçada. Uma mulher contorna o carro para ajudar outra que sai do lado oposto. A motorista lança-me olhar fulminante, misto de agressão e temor. Irrito-me, silente. Incomoda-me a invasão do passeio e seu olhar. Penso que ela teme um assaltante potencial dentro de mim. Puxa! Sigo a passo, sem olhar para trás. Penso que possa ser a atitude mera tentativa de evitar um assalto, talvez já vivenciado, traumático, assustador.
Lembro de um amigo vivendo a paz segura e pública do Canadá. Penso em mim, já assaltado várias vezes. Penso em mim, sujeito digno de respeito, acho que até mais do que aquela que me fulminara com olhar desagradável. Fantasias de interpelá-la, mas sigo a passo, sem olhar para trás.
Este relato mais pessoal. É pessoal ser discriminado. É bem pessoal o que senti ou fiz ou pensei, ao perceber os jovens descendo minha avenida. Simétricos, eu e a mulher do olhar fulminante.
Discriminação que deveria ser apenas diferenciar virou impropério. De tanto discriminar, por certo, daqui a algum tempo vou acertar novamente, como já acertei no passado, safando-me de algum quase assalto. Discriminação dói, fere. É triste, mas, por vezes, funciona.
Psiquiatra
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