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Porto Alegre, quinta-feira, 26 de julho de 2018.
Dia dos Avós.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Edição impressa de 26/07/2018. Alterada em 26/07 às 01h00min

A triste situação dos moradores de rua em Porto Alegre

Muitos porto-alegrenses estão impressionados com a quantidade de moradores de rua que estão espalhados em barracas improvisadas em calçadas, embaixo de marquises, em canteiros centrais de ruas e avenidas por quase toda a cidade. Realmente, é algo jamais visto, não nesta quantidade, na história da Capital.
É lamentável, mas é um drama real, para o qual a sociedade não pode fechar os olhos. Segundo os órgãos de assistência social da prefeitura e do Estado, muitas dessas pessoas não aceitam o encaminhamento para abrigos e preferem, mesmo sem-teto, continuar vivendo nas ruas.
A maioria dos moradores de rua é composta de pessoas que perderam quase tudo e ficam ao léu, mesmo que entre elas estejam oriundos representantes da classe média, situação vivida, obviamente, em tempos passados.
Foram parar no desabrigo e sofrendo as inclemências do tempo por diversos motivos, inclusive emocionais, desilusões e brigas de família. Alguns vieram do Interior tentar a sorte e, sem estrutura ou trabalho, ficam a perambular pela cidade.
Em regra, a todos incomoda ver moradores de rua - a maioria, homens - vivendo debaixo de viadutos e marquises, ou acampados em praças. Porém é preciso um mínimo de solidariedade para nos levar à compreensão de tal realidade em uma perspectiva mais humana. Temos que encontrar soluções para contornar o problema. E agir.
É um trabalho difícil, mas necessário, ainda mais quando alguns dos que precisam de ajuda se negam a recebê-la. Também há um conflito ideológico entre o direito que têm as populações de rua de nela permanecer ao lado dos que entendem que essas pessoas precisam, sim, de um atendimento ou intervenção pública.
Em capitais brasileiras - incluindo Porto Alegre -, o número de habitantes nas ruas aumentou muito com a crise que assola o País. Pessoas perderam o emprego e foram despejadas. Outros tantos não têm como custear os deslocamentos diários de suas distantes moradias para os centros urbanos onde exercem alguma atividade, havendo também menores de idade que fogem de casa.
Igualmente, o uso de drogas e o abuso de álcool, por conflitos envolvendo famílias desestruturadas, associados à violência doméstica desencadeiam essa tragédia social.
Na estatística da exclusão, acrescente-se considerável número de banidos de suas comunidades por disputas de poder e autoridade entre os senhores do tráfico e as gangues, sendo as ruas o exílio a que são relegados. 
No Rio de Janeiro e em São Paulo, as chamadas cracolândias vão se convertendo em centros de convivências comunitária dessa gente, repercutindo o problema para outra esfera - a segurança pública.
O aumento da população que vive nas ruas agora é um tema de reclamação constante por parte da sociedade. Porém, a simples remoção não resolverá o problema, não de todo, o desejável. Porto Alegre tem unidades de acolhimento, mas que não podem se converter em depósitos de seres indesejáveis. Precisamos empreender ações para a reinserção social.
Pequenas habitações seriam o ideal, com áreas comuns com cozinha, lavanderia, atividades de lazer e desportiva, mas, fundamentalmente, a organização e a orientação de vocações e habilidades produtivas, para que, pelo trabalho, obtenham o sustento.
O trabalho é instrumento de ressocialização, estruturado por meio de cooperativas nas áreas de produção. Então, que venham as soluções, não apenas as críticas, mesmo que compreensíveis.
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