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- Publicada em 16h14min, 19/05/2021. Atualizada em 16h32min, 19/05/2021.

Idosos em risco

Marco Poli
A terceira idade é um período de grandes transformações para o indivíduo. Isso inclui uma série de mudanças físicas, aposentadoria, doenças, afastamento ou perda de pessoas queridas, além de uma redução da independência e autonomia de modo geral. Aliado a tudo isso agora esse problema ganhou uma nova perspectiva, com milhões de idosos tendo que interromper suas rotinas e atividades sociais para permanecer em casa. Não bastassem as restrições deste momento extraordinário de pandemia, pense no quanto se podem fragilizar corpos e mentes de idosos com idades próximas dos 90 anos, em uma área de conflito e sendo obrigados a suportar estrondos constantes e incessantes por semanas a fio. Pois esta é a situação em que se encontra um casal, residente há mais de quatro décadas no mesmo endereço, vendo-se agora com uma obra no apartamento abaixo do seu, em um condomínio da Zona Norte de Porto Alegre.
A terceira idade é um período de grandes transformações para o indivíduo. Isso inclui uma série de mudanças físicas, aposentadoria, doenças, afastamento ou perda de pessoas queridas, além de uma redução da independência e autonomia de modo geral. Aliado a tudo isso agora esse problema ganhou uma nova perspectiva, com milhões de idosos tendo que interromper suas rotinas e atividades sociais para permanecer em casa. Não bastassem as restrições deste momento extraordinário de pandemia, pense no quanto se podem fragilizar corpos e mentes de idosos com idades próximas dos 90 anos, em uma área de conflito e sendo obrigados a suportar estrondos constantes e incessantes por semanas a fio. Pois esta é a situação em que se encontra um casal, residente há mais de quatro décadas no mesmo endereço, vendo-se agora com uma obra no apartamento abaixo do seu, em um condomínio da Zona Norte de Porto Alegre.
Não são poucos os estudos recentes mostrando como o excesso de ruído continuado também pode prejudicar os sistemas nervoso e cardiovascular. O desconforto provocado por estrondos intensos pode agravar sintomas relacionados à ansiedade, à instabilidade emocional, às alterações de humor, ao estresse e ao nervosismo. Some isso às pressões trazidas pelo isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus.
Pesquisadores da Universidade de Chicago descobriram que o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nas faixas etárias mais avançadas. Podemos unir a isso o estudo publicado por um grupo de pesquisadores da Universidade de York divulgando que o isolamento social pode aumentar o risco de doenças cardíacas em 29% e o de acidentes vasculares em até 32%. O que fazer para proteger a sanidade e estabilidade mental de pessoas neste grupo de risco, colocadas na situação de ter de suportar ao longo de várias horas por dia o barulho da demolição sob seus pés? Estamos falando em ruídos acima dos 70 decibéis. Acrescente-se a isso, o casal é hipertenso.
É sabido que o Estado brasileiro não protege o cidadão que o sustenta. Neste caso específico, os órgãos municipais de Porto Alegre, capital do meridional estado do Rio Grande do Sul, responsáveis por fazer valer o Código de Posturas, definem a quantidade de ruído permissível. Onde estão e o que fazem estes órgãos? E a saúde dos idosos que moram ali há décadas, como fica? Quem está entrando por último para morar no prédio deveria ter a civilidade de se apresentar para seus vizinhos antes de começar a reforma. Principalmente se forem idosos. O fato de ter direito de fazer uma reforma, não justifica a falta de civilidade, educação, solidariedade, empatia. Pelo contrário, confirma a arrogância de tantos neste mundo moderno, gente que acredita serem donas do mundo, enxergando apenas o próprio umbigo, como se jamais fossem envelhecer um dia.
Numa época em que virou moda um se colocar no lugar do outro pra gerar empatia, será que isso só vale para gente jovem? Quem se coloca no lugar do idoso? Vidas Velhas Não Importam? As reformas de apartamentos seguem desenfreadamente, sem levar em consideração a quantidade de idosos que estão confinados em casa há mais de um ano. Independentemente de os documentos e guias estarem corretos e pagos, a vida não é feita somente de burocracia e normas técnicas. A vida é feita também de seres humanos.
Segundo estudo da Dra. Linda Fried e seu grupo da John Hopkins University, idosos são atingidos por dois causadores de fragilidade na saúde: desregulação do sistema neuroendócrino; disfunção do sistema imunológico. Pesquisadores do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) entrevistaram 1.460 pessoas em 23 estados e todas as regiões do Brasil. Os resultados da pesquisa indicam que os casos de depressão praticamente dobraram durante o isolamento, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80% nesse período.
Cientistas da Universidade de Chicago comprovaram que o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nas faixas etárias mais avançadas, pois gera no organismo uma reação de estresse que acaba reduzindo a produção dos leucócitos, responsáveis por defender o organismo de infecções.
Estima-se que de 10% a 25% das pessoas acima dos 65 anos e 46% acima dos 85 anos que vivem na comunidade sejam frágeis, conferindo-lhes alto risco para desfechos clínicos adversos. Fragilidade esta, não apenas pela velhice, mas por fatores externos.
Com tantos fatores prejudiciais à saúde, numa época em que se pede tanto para que as pessoas se coloquem no lugar dos outros, em especial dos idosos, sabendo que em momento algum as lojas de material de construção faturaram tão alto por conta de reformas em tantas residências, este manifesto tem a intenção de alertar e pedir a todos que ponham o dedo na consciência. É triste ter de clamar por convívio social onde as pessoas, em especial vizinhos, ajam com um mínimo de civilidade, educação, solidariedade, empatia. A vida é bela, mas ela encerra. Não faz sentido acelerar este processo. Nem torturar uns em nome da felicidade imediata de outros.
Jornalista
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