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CORONAVÍRUS Notícia da edição impressa de 04/03/2021. Alterada em 04/03 às 13h40min

Precisamos de um lockdown de 10 dias, pede Ary Vanazzi

Prefeito de São Leopoldo quer a restrição em toda a Região Metropolitana para conter avanço de casos

Prefeito de São Leopoldo quer a restrição em toda a Região Metropolitana para conter avanço de casos


/Thales Ferreira/DIVULGAÇÃO/CIDADES
João Dienstmann
O avanço nas internações em leitos de UTI por conta da Covid-19 retomou a discussão por medidas mais drásticas para frear a contaminação de pessoas. De acordo com dados da secretaria estadual da Saúde desta quarta-feira, a Região Metropolitana de Porto Alegre, onde moram cerca de 4,5 milhões de gaúchos, superou a marca de 100% dos leitos de alta complexidade ocupados. São 1.568 pacientes em 1.554 leitos disponíveis (100,9%).
Ainda que a bandeira preta tenha trazido restrições à circulação de pessoas, o lockdown ainda é considerado por parte dos médicos como o remédio a ser aplicado neste momento. Nesse caso, além do fechamento de estabelecimentos considerados não essenciais, há a restrição na circulação de pessoas, que só poderiam se deslocar caso comprovem a necessidade.
É o que defende o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi. Em entrevista ao Jornal Cidades, ele reiterou a ideia da paralisação por 10 dias em toda a região para frear o número de casos e trazer alívio ao sistema de saúde. Ele contou que o Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) formou maioria pelo lockdown, mas, sem consenso, a medida não avançou. Agora, pede ao governador, Eduardo Leite, que comande a ação e revelou que a cidade deve adotar a medida a partir de segunda-feira (8), se o atual cenário permanecer até a próxima reunião do comitê municipal, marcada para sexta-feira.
Jornal Cidades - O senhor tem sido a principal voz, dentre os prefeitos, a defender um lockdown na Região Metropolitana. Por qual motivo não se estabeleceram essas restrições?
Ary Vanazzi - Desde o início desse quadro mais grave da pandemia no Estado tenho falado de medidas mais enérgicas para a Região Metropolitana. Na semana passada, tivemos uma reunião da Granpal para falarmos sobre o lockdown e não houve consenso. Ficou decidido seguir os protocolos de bandeira preta. De minha parte, continuo insistindo para que essa medida seja adotada. Fiz uma carta ao governador pedindo que ele intermedeie uma reunião com os líderes municipais da região e estabeleça um lockdown de 10 dias. Do jeito que as coisas estão, vamos ficar 30 dias em bandeira preta e o problema econômico vai piorar. A curva de contaminação é muito grande, com pessoas jovens entubadas. Em 10 ou 15 dias não vamos resolver isso, quanto mais prolongarmos esse cenário, maior será o caos econômico. A bandeira preta é insuficiente para controlar a pandemia. As pessoas continuam circulando, precisamos tomar uma medida dura. Em São Leopoldo, por exemplo, sempre fomos mais restritivos que a Região Metropolitana, não precisamos mandar pessoas para outros hospitais.
Cidades - Mas isso não evitou que a cidade tivesse os mesmos problemas vistos nas cidades próximas...
Vanazzi - Não tivemos porque a contaminação foi muito rápida. Todo o Estado está com situação gravíssima. Temos uma alta circulação de pessoas de outras cidades aqui em São Leopoldo. Desde março, quando a pandemia começou, adotamos medidas restritivas e, ao menos, nosso sistema de saúde respondeu bem para atender as pessoas daqui. Recebemos pacientes de municípios próximos. No caso dessa bandeira preta, nós somos ainda mais restritivos. O Estado, por exemplo, permitiu cultos religiosos e nós não.
Cidades - No dia 19 de fevereiro, o senhor sugeriu o lockdown em São Leopoldo por 7 dias, mas voltou atrás. Por quê?
Vanazzi - O comitê municipal, composto por mais de 50 entidades representativas, não aprovou a medida de lockdown. Do ponto de vista técnico, com a circulação de pessoas de toda a região, seria impossível fazer apenas aqui na cidade (o lockdown) para que aparecesse um reflexo sobre o sistema de saúde. Então, precisamos ter a questão regional. Essa semana fizemos a avaliação do impacto das medidas que tomamos e na sexta-feira temos uma nova reunião. Se continuar assim nesse ritmo (de casos positivos), vamos restringir mais ainda e não descarto o lockdown na cidade a partir de segunda-feira. Vamos parar por 10 dias e pressionar os outros municípios a tomarem a mesma medida.
Cidades - Como o senhor vê a atuação do governador Eduardo Leite diante do pior momento da pandemia no Rio Grande do Sul?
Vanazzi - Acho que o governador fez certo em acabar com a cogestão, que permitia maior flexibilidade, mas sei que há muita pressão econômica sobre ele. Nós, prefeitos, precisamos apoiá-lo nas decisões e medidas para conter essa crise. No entanto, o governador precisa apertar ainda mais o cerco e diminuir o estrago do problema humanitário que a pandemia está causando. Esse quadro atual vai ficar ainda por um longo período se não tivermos uma restrição mais forte. Em outra frente, vejo ainda a questão da vacina. O governo federal está brincando conosco, com esse ritmo de vacinação. Estamos trabalhando para buscar soluções.
Cidades - Em relação à vacinação, a Câmara de Vereadores de São Leopoldo aprovou uma verba de R$ 5 milhões para a compra dos imunizantes. Como será feita essa aquisição?
Vanazzi - Temos vários movimentos. A Granpal tem uma frente para buscar as vacinas, a Associação dos Municípios do Vale do Sinos também. Esse valor aprovado é para compra através de um consórcio, mas também buscamos os empresários de São Leopoldo para esse movimento. Nessa quinta-feira, teremos uma reunião da Granpal com representantes do laboratório que produz a vacina Sputink V. Eles acenaram a possibilidade de entregar um lote em até 40 dias. São Leopoldo, por exemplo, precisa de 100 mil, e cada cidade faria o seu levantamento. A questão não é só recurso, mas a autorização para comprarmos. O governo federal tem feito movimento pesados para dificultar a aquisição e, ao mesmo tempo, a distribuição é lenta. Queremos achar alternativas.
Cidades - O Hospital Centenário está operando com 162% da capacidade de leitos de UTI. Há espaço para a ampliação da oferta? Quais medidas foram planejadas?
Vanazzi - Na verdade, temos 40 leitos de UTI, sendo 20 exclusivos para tratar a Covid-19. Na planilha da secretaria estadual da Saúde, só está registrado o que é pago pelo governo, então nos dados da secretaria só aparecem 16, mas nós temos mais quatro. Agora, não adianta ampliar leitos, não temos profissionais de saúde para atender. Outra questão é o oxigênio. A distribuidora está no limite, produção tem, mas não consegue levar até as cidades. Uma pessoa em UTI usa, em média, um cilindro por dia, e essa reposição não tem no mercado. Não temos bombas de infusão, as empresas pedem prazo de 30 a 40 dias. Criar leito é muito simples, mas e os insumos, os profissionais? Estou com 10 pacientes na fila para UTI. Há pacientes dentro de ambulâncias. Então só isso não adianta. Precisamos parar por alguns dias e frear a contaminação.
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