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CANOAS 30/07/2019 - 03h26min. Alterada em 30/07 às 03h00min

Ressocialização traz benefícios a presos e ao município

Detentos recebem salário e cesta básica; custo aos cofres públicos é quatro vezes menor que o normal

Detentos recebem salário e cesta básica; custo aos cofres públicos é quatro vezes menor que o normal


/VINICIUS THORMANN/DIVULGAÇÃO/CIDADES

"Uma porta que se abre para a gente mudar." É assim que o participante Willian, de 25 anos, descreve o programa Recomeçar, aplicado em Canoas para ressocializar apenados do sistema prisional por meio de serviços prestados ao município. A iniciativa, que ganhou 100 novas vagas neste ano, tem servido de modelo para outras cidades do Rio Grande do Sul. 

Histórias como a de Willian, que cumpre pena no regime aberto, são as que fazem o programa se tornar referência. Desde março, ele bate ponto na Central de Distribuição de Alimentos (CDA) da cidade, onde trabalha de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. "Não é todo mundo que consegue mudar, porque, às vezes, a pessoa não conhece outra vida, mas oportunidades como essa aqui nos ajudam muito a perceber que o crime é uma ilusão", explica ele, que vai ficar um ano com tornozeleira eletrônica.

Assim como ele, 108 detentos do regime aberto e semiaberto trabalham para a prefeitura em ocupações diversas, como pintura, construção, limpeza de praças, separação de mantimentos, carregamento, transporte de cargas e serviços gerais ou de cozinha. Pelas jornadas de trabalho, eles recebem R$ 900,00 mensais e uma cesta básica - quase quatro vezes menos do que custaria um funcionário contratado com vínculo empregatício para essas atividades. Com o aumento de vagas no programa, ainda há 72 postos para serem ocupados.

A iniciativa, realizada por meio de um convênio entre a prefeitura de Canoas e a secretaria de Segurança Pública do Estado, só distribui as funções depois de o preso passar por uma entrevista, além de análise do delito pelo qual foi condenado, da ficha criminal e da experiência profissional do candidato a reeducando. Após essa etapa, o apenado pode ser chamado para trabalhos em diversos locais da cidade. "Esse trabalho se destaca porque causa impacto na comunidade toda. Além de contribuírem para a administração municipal, os reeducandos passam por uma mudança de conduta e acabam optando por outro modo de vida, o que é bom para todos", reflete a secretária de Desenvolvimento Social, Luísa Camargo.

A esperança de tomar um novo rumo em função da passagem pelo Recomeçar tem motivo. Ao cumprirem todas as regras, os reeducandos recebem, ao final, uma declaração sobre seu comportamento durante a participação no programa. "O programa nos permite entregar à sociedade um novo cidadão, com vontade de fazer diferente. E quando eles estão aqui, as dificuldades desse primeiro contato fora da prisão ficam menores porque as pessoas passam a vê-los com outro olhar, com menos preconceito. Isso diminui, e muito, as possibilidades de voltarem ao crime", explica a diretora de Segurança Alimentar e Inclusão Produtiva, Daniela Fontoura.

Diante dos resultados, a prefeitura de Canoas alinha, nas próximas semanas, a ampliação das atividades exercidas pelos reeducandos, que, em breve, também irão trabalhar em confecção têxtil e serigrafia. O propósito, inicialmente, é abastecer o Hospital de Pronto Socorro e o Hospital Universitário com novas roupas de cama produzidas pelos apenados, assim como uniformes para os professores da rede pública de ensino.

A primeira etapa desse processo é a capacitação dos detentos para mais este trabalho. Feita a capacitação, eles poderão começar a trabalhar nas demandas que vierem das instituições de saúde.

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