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24/04/2019 - 03h16min. Alterada em 24/04 às 03h00min

PASSO FUNDO: Pesquisa quer identificar causa de extinção dos pinheiros

Consumo das sementes por espécies exóticas estariam comprometendo a regeneração da espécie

Consumo das sementes por espécies exóticas estariam comprometendo a regeneração da espécie


/UPF/DIVULGAÇÃO/CIDADES

Estudo realizado por pesquisadores brasileiros e espanhóis evidencia o fato de que o consumo de sementes do pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) por espécies exóticas - a exemplo da lebre europeia, bovinos, equinos e javali - vem comprometendo a regeneração dessa espécie ameaçada de extinção. A pesquisa foi realizada em quatro regiões do sul e sudeste do Brasil, onde há maior incidência e remanescentes das Florestas com araucárias, avaliando o consumo de pinhões e plântulas do pinheiro-brasileiro pela fauna, tanto silvestre quanto exótica.

O estudo contou com a participação de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade de Passo Fundo (UPF), além de estudiosos da Divisão de Biologia da Conservação da Estación Biológica de Doñana,da Espanha, e do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O professor dr. Jaime Martinez, que integrou a equipe de pesquisadores pelo pela universidade brasileira, e a professora dra. Nêmora Pauletti Prestes, pelo Departamento de Vida Silvestre da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), comentam que os resultados do estudo reforçam a importância dos pinhões na alimentação de uma expressiva comunidade de animais silvestre da Mata Atlântica.

Buscando ter uma boa representatividade da fauna associada ao pinheiro-brasileiro, as pesquisas de campo contemplaram áreas no entorno do Parque Estadual de Campos do Jordão, em São Paulo, no planalto de Santa Catarina, onde o Projeto Charão atua na conservação do papagaio-charão e papagaio-de-peito-roxo, e no Rio Grande do Sul, em áreas da Estação Ecológica de Aracuri (Muitos Capões) e do município de São Francisco de Paula.

Conforme o professor da UPF, na metodologia utilizada pelos pesquisadores, a avaliação foi realizada sob a copa de 520 exemplares de pinheiros fêmeas, produtoras de sementes, registrando pinhões predados e não predados junto ao solo, e contando com o auxílio de armadilhas fotográficas. "Entre os principais resultados do estudo, está o fato de que 98% das árvores pesquisadas receberam a visita de animais predadores ou dispersores das sementes, evidenciando a forte interação que a Araucária mantém com a fauna silvestre", aponta Martinez.

Um dos dados que chamou a atenção dos pesquisadores foi a diversidade de animais nativos que se mostraram consumidores ou potenciais consumidoras do pinhão: 70 espécies, sendo que muitas foram citadas pela primeira vez em estudos científicos. "A pesquisa também evidenciou que 60% dos pinheiros receberam a visita de, pelo menos, um mamífero não nativo da fauna brasileira, como é o caso de animais de criação, a lebre europeia e o javali", comenta o pesquisador.

O pinhão, segundo ele, é um recurso-chave na conservação de animais que se alimentam diretamente dele, e pela cadeia alimentar de muitos animais carnívoros, incluindo os grandes predadores entre as aves e os mamíferos. "A grande preocupação gerada pelos resultados é o fato de mais da metade dos pinheiros que integraram a amostra do estudo terem sido visitados por mamíferos exóticos como os bovinos, os equinos, a lebre europeia e o javali", cita o professor, destacando que esses animais consomem sementes e plântulas da Araucária, diminuindo as possibilidades de regeneração da Floresta com Araucária e, com isso, diminuem a disponibilidade de alimento para os animais nativos.

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